Na busca por um técnico para a reta final da temporada 2020, o Coritiba fugiu do lugar comum e olhou para o mercado sul-americano para trazer um novo comandante. A aposta está num jovem paraguaio, Gustavo Morínigo, que, em pouco tempo de carreira, já teve campanhas importantes.

Ex-meio-campista, Morínigo chegou a defender a seleção do Paraguai na Copa América de 2001 e na Copa do Mundo de 2002. Se aposentou dos gramados em 2011, no Nacional, e, no ano seguinte, com apenas 35 anos, assumiu o comando técnico do time.

Em pouco tempo, levou o modesto clube ao título do Torneio Apertura, um dos campeonatos paraguaios (o país conta com dois campeonatos nacionais), em 2013, e na temporada seguinte alcançou a final da Libertadores, perdendo a decisão para o San Lorenzo após um empate em 1 a 1 e uma derrota por 1 a 0.

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Naquela campanha, caiu no grupo do então campeão Atlético-MG e surpreendeu com dois empates com o Galo - 1 a 1 e 2 a 2 -, ficando em segundo lugar na chave e avançando para o mata-mata.

Foi o cartão de visitas do jovem treinador, que tem um perfil mais ofensivo, mas que molda seus times de acordo com o adversário, não se prendendo a um padrão tatico.

"Morinigo não casa com nenhum estilo, joga de acordo com o rival. Na Libertadores de 2014, largou com uma linha de quatro e quando teve o objetivo alcançado, passou no mesmo jogo para uma linha de cinco. Seus times costumam ter um jogo vistoso, embora às vezes lhes falte uma característica própria", explicou o jornalista Carlos Correa, da Rádio Uno 650, de Assunção.

"Ele gosta de atacar, mas se seu time for inferior ao rival, não tem problema em propor um esquema mais conservador. Ao entrar e conhecer a equipe, pode ser um pouco mais conservador para tentar ganhar confiança e sair da difícil situação", completou Correa.

Bom desempenho de Morínigo nas categorias de base do Paraguai

O técnico ficou no Nacional até março de 2015 e poucos meses depois assumiu o sub-20 do Paraguai, ficando pouco mais de sete meses no cargo, quando aceitou uma proposta do Cerro Porteño, onde teve pouco tempo de trabalho. Permaneceu por apenas três jogos e três meses depois se desligou para retornar à seleção paraguaia, desta vez pegando o time sub-17.

Disputou dois sul-americanos da categoria e em ambos terminou em terceiro, ganhando o direito de disputar o Mundial. Em 2017, caiu nas oitavas de final, diante dos Estados Unidos. Já em 2019 foi até as quartas, quando foi eliminado pela Holanda.

Em pouco mais de quatro anos no sub-17 do Paraguai, Morínigo teve boas campanhas no Sul-Americano e no Mundial da categoria.
Em pouco mais de quatro anos no sub-17 do Paraguai, Morínigo teve boas campanhas no Sul-Americano e no Mundial da categoria.| Divulgação/AFP

No entanto, não costuma aproveitar tanto a garotada em suas equipes. "Morinigo trabalha com jogadores experientes e gradualmente adiciona jogadores jovens", disse Carlos Correa.

Último trabalho ficou abaixo do esperado

Estava no cargo até setembro de 2020, quando aceitou uma proposta do Libertad. Porém, mais uma vez teve uma breve passagem por um dos maiores times do país. Foram três meses apenas, com 16 jogos disputados.

O último capítulo foi a eliminação na Libertadores, diante do Palmeiras, nas quartas de final, após um empate em 1 a 1 no Paraguai e uma derrota por 3 a 0 em São Paulo.

"Seu trabalho no Libertad teve duas facetas. Na Libertadores classificou o time às quartas de final, mas no campeonato nacional não atingiu o nível desejado, levando em consideração o que significa o Libertad no país, que é uma equipe que se prepara todos os anos para ganhar o campeonato", ressaltou o jornalista da Rádio Uno 650.

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