Alegando impedimento, suspeição e descumprimento, um grupo de credores do Coritiba requereu à Justiça, na última segunda-feira (20), a substituição da empresa Companhia Brasileira de Administração Judicial (CBAJ) como administradora do processo de Recuperação Judicial do Coxa.

Nomeada pela Justiça em março deste ano, a CBAJ é administrada por Maurício Obladen Aguiar que, de acordo com os credores, possui vínculos com o Coritiba e, portanto, não é apto para exercer o posto de forma isenta.

Em pedido assinado pelos advogados Henrique Caron e Marcelo Ribeiro, os credores pedem a anulação de todos os atos tomados por Obladen desde sua nomeação, além da nomeação de outro administrador judicial, de fora do estado, para evitar conflito de interesses.

Dentre estes credores está o técnico Paulo Cesar Carpegiani, que tem cerca de R$ 5,2 milhões a receber do clube.

Credores apontam as ligações de Obladen com o Coritiba

Os credores sustentam que Maurício Obladen Aguiar é sócio do Coritiba desde março de 2007 e, inclusive, concorreu à eleição como conselheiro do clube em 2014, pela chapa “Coritiba, Nós Construímos”, da qual faziam parte atuais diretores do clube, como o vice-presidente Glenn Stenger, o presidente do Deliberativo, Jamil Tawill Filho e o conselheiro e ex-presidente, Vilson Ribeiro de Andrade, entre outros.

Naquela ocasião, a chapa liderada pelo então presidente Vilson Ribeiro de Andrade acabou derrotada no pleito pelo candidato Rogério Bacellar.

A reportagem buscou contato com Glenn Stenger, que afirmou que o Coritiba se pronunciará apenas nos autos do processo.

Além dos fatores citados acima, os credores ainda alegam que a família Obladen foi uma das fundadoras do Coritiba. Além de alegar vínculo pessoal de Obladen com o Coritiba, o que implicaria em suspeição, os credores alegam que o administrador judicial também descumpriu deveres da função.

“Alguém cujo antepassado é fundador, é sócio há mais de dez anos, tem pretensões políticas a integrar o seu Conselho e seus companheiros de chapa ocupam os cargos mais altos na hierarquia do devedor, não preenche os pressupostos para exercer o cargo de administrador da recuperação de seu clube do coração”, diz a juntada de petição.

Administrador judicial, Obladen rebate pedido de destituição

De acordo com Obladen, as alegações de suspeição e o pedido de sua destituição do posto de administrador judicial trata-se de "mera irresignação e inconformismo".

"Não sou sócio do clube há mais de cinco anos, não tenho amizade ou ligação com qualquer dos membros da diretoria, nunca exerci e não exerço nenhuma função no clube. Chega a ser ofensivo questionar a lisura de nossa conduta como administradores judiciais, recorrentemente nomeados em casos de grande magnitude, o que comprova nosso profissionalismo, comprometimento com o juízo e evidente imparcialidade ", diz Obladen.

"Além disso, tentam personificar a CBAJ na pessoa do Maurício, sendo que é uma sociedade anônima com diversos sócios, dentre eles simpatizantes de todos os clubes da capital, o que de forma nenhuma poderia interferir nos nossos trabalhos. Nosso trabalho está cumprido conforme a lei e determinações do CNJ, não havendo descumprimento de qualquer tarefa atribuída ao administrador judicial", reforçou.

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