Eleito em dezembro de 2017 com 1070 votos (37,7% do total), Samir Namur tenta se reeleger presidente do Coritiba no pleito do próximo dia 12 de dezembro. O candidato da chapa Coritiba Responsável é o primeiro entrevistado do UmDois Esportes na série de entrevistas com os postulantes ao cargo.

Em cerca de 45 minutos de conversa, o dirigente afirmou que não há como fazer “mágica ou milagre” na gestão do clube, cutucando os candidatos de oposição Renato Follador, que terá entrevista publicada nesta terça-feira (1º), e João Carlos Vialle que, por sua vez, terá a conversa divulgada na próxima quarta-feira (2).

Samir também contextualizou tropeços do futebol em seu mandato e ressaltou que o Coxa necessita de continuidade para voltar crescer. Ou seja, para ele, a troca de comando com o Brasileirão em andamento apenas aumenta o risco de queda à Série B. “O sócio que vai votar tem que pensar nisso”

Clique no vídeo acima para assistir ao papo completo! Confira abaixo trechos da entrevista

Por que você deve ser presidente do Coritiba por mais três anos?

O que estou defendendo e propondo nessa candidatura à reeleição é simplesmente o projeto de continuidade. A necessidade do longo prazo. Defender que na gestão do futebol e, principalmente, na gestão do Coritiba os problemas só podem ser resolvidos com projeto de longo prazo, com continuidade do trabalho e não com rupturas a cada três anos como têm sido da história. Nossa chapa se chama Coritiba Responsável simplesmente porque defende um projeto de continuidade e de longo prazo e que tem a ideia de responsabilidade financeira como pilar central. Hoje o Coritiba é um clube com problemas graves decorrentes de seu alto endividamento. Nós que estamos na gestão temos um diagnóstico claríssimo de quais os problemas e soluções. E temos certeza que essas soluções passam necessariamente por um projeto de longo prazo que tem a responsabilidade financeira como pilar central.

Em seu mandato, o clube não teve bom resultados no futebol. O que leva ao sócio crer que essa panorama vai mudar?

Responder essa pergunta demandaria uma série de considerações sobre como pegamos o clube. Todo mundo tem a clareza que não é fácil assumir a administração seis dias depois de um rebaixamento. Um clube como sérios problemas financeiros e uma gestão que se propôs a fazer futebol com responsabilidade desde o começo. É claro que isso afeta também a gestão do futebol porque não existe outra alternativa de gestão de futebol de sucesso no Brasil se não for com alto investimento. Sabemos que têm outras candidaturas defendendo mágica, milagre. Que mudam as pessoas da diretoria no dia 13 de dezembro e automaticamente  elas passam a fazer mágica, a contratar melhor e consequentemente ter melhores resultados. Mas isso é uma falácia, uma enganação, um certo populismo até para o torcedor. Pra mim está muito claro que só existe melhoria no futebol, resultados melhores com aumento de investimento. E só existe aumento de investimento com responsabilidade de gestão, salários em dias, pagamento de dívidas, e também aumento de receitas.

Em 2018 herdamos um passivo imediato de 2017 na casa deR$ 15 milhões. Poderíamos ter ignorado isso porque seria um passivo que viria a incomodar só a gestão seguinte à nossa, mas não era o nosso propósito. A equação lá foi muito simples: tirar dinheiro das receitas, do time de 2018 para resolver problemas de 2017. Claro que isso afetou a possibilidade de melhores contratações, da montagem de um time melhor e, consequentemente, afetou o resultado. Em 2019, com uma situação ainda pior financeiramente, conseguimos ter sucesso porque o time subiu. E agora em 2020, claro que poderíamos estar melhor.

Confiamos que esse elenco pode dar mais, meu discurso internamente sempre tem sido esse. Mas é importante citar que o Coritiba disputa com times que têm folhas de pagamento muito superiores. Mas reconheço que teríamos de ir melhor nas Copas do Brasil, sem dúvida. Mas efetivamente, naquela que diz respeito ao presente do Coritiba, e falo com total segurança, nós temos confiança muito grande que esse time não cai para a Segunda Divisão e que termina brigando por uma vaga na Sul-Americana. Aliás, esse é um ponte importante de curto prazo nessas eleições. Aqui tem uma candidatura que está defendendo o elenco, dizendo que ele tem seu valor, ao passo que outras duas candidaturas  de oposição dizem que o elenco é ruim, fraco, que foi mal montado, e que não tem essa condição. Então, o sócio que vai votar também tem que pensar, ao considerar o curto prazo, ao considerar que o Brasileiro só acaba em fevereiro de 2021, com qual diretoria esses jogadores vão se sentir melhor para lutar ela permanência na Primeira Divisão e buscar a Sul-Americana, com quem vão ter mais confiança, mais respaldo?

A chance de o Coritiba quebrar com uma administração irresponsável é muito grande?

Sem dúvida. E o Cruzeiro está aí para ser esfregado na cara de todo mundo como exemplo. O Coritiba, infelizmente, não tem o tamanho do Cruzeiro e se uma gestão irresponsável assumir o clube, talvez o Coritiba caminhe para o mesmo local do Cruzeiro em um prazo até mais rápido do que ele.

Participe da conversa!
0