A paixão pela Copa do Mundo atravessa gerações e é capaz de transformar o futebol em memórias inesquecíveis. No caso dos advogados curitibanos Marçal Justen Filho e Marçal Justen Neto – pai e filho – uma decisão tomada pela emoção mudou para sempre a história da família.

Em maio de 1994, durante viagem de turismo para Orlando, a dupla assistiu à partida de quartas de final, entre Brasil e Holanda, no hotel. Assim que a seleção garantiu a vitória por 3 a 2 e avançou às semifinais, os planos foram mudados completamente. O próximo destino não seria mais um parque do Walt Disney World, mas sim o Estádio Rose Bowl, em Los Angeles, onde o time comandado por Carlos Alberto Parreira e liderado pelo atacante Romário conquistaria o tetracampeonato diante da Itália.

Justen Neto, então com 13 anos de idade, via ali nascer uma tradição familiar e um fanático pela Copa.


“Logo depois desse jogo [Brasil x Holanda], meu pai falou de assistir o próximo. A gente fez uma programação na hora, achou um voo para Los Angeles e conseguiu ingresso. Na época, era muito mais simples, os valores menores. Assistimos à semifinal entre Brasil e Suécia, e a final entre Brasil e Itália. Assistir o jogo ao vivo dentro do estádio, a disputa de pênaltis, e ver o Brasil ser campeão, me fez ser um torcedor mais fanático pelo Brasil e pela Copa do Mundo”, garante Justen Neto em entrevista ao UmDois Esportes.


Tradição dos Justen na Copa

Lucas, Marçal Filho e Marçal Neto com torcedores da Escócia na Copa do Mundo 2026. Foto: Arquivo pessoal.

Em uma decisão que vai muito além do esporte, o filho hoje consegue compreender a surpresa que vivenciou na Copa de 1994. Para ele, que hoje também é pai de duas meninas, Clara e Alice, o evento se tornou um dos grandes momentos da relação.

“O futebol acaba sendo um tema que nos une. Certamente, o futebol é um assunto que a gente sempre fala também e muito impactante para mim. Hoje, eu sou pai e entendo o gesto que ele fez de proporcionar isso para mim. Ele poderia não ter feito, a gente poderia ter assistido pela televisão, mas foi algo muito marcante”, afirma o curitibano.

A família ficou duas décadas sem assistir aos jogos no estádio, mas voltaram quando a Copa foi realizada no Brasil, em 2014. Desde então, a família não perdeu mais nenhum Mundial e ainda ganhou mais um integrante nas viagens: Lucas Justen, irmão mais novo de Marçal Neto e 21 anos mais novo.

“Voltar para a Copa com meu pai e, agora, com meu irmão, é uma marca. Viajamos os três juntos para o Catar e de novo estamos juntos. Brincamos que ‘we are back‘, estamos de volta”, diz. “Convivi pouco com meu irmão na infância. O futebol é uma forma de nos unir, a Copa do Mundo também. Podemos conviver durante as partidas e o período que estamos viajando”, ressalta.

Sem querer carregar a responsabilidade de ser o amuleto da seleção, Marçal Neto admite que ver o Brasil campeão novamente, 32 anos depois, seria algo épico.

“Eu já recebi uma mensagem: ‘Fiquem que está dando certo, dando sorte’. Mas brincadeiras à parte, eu já vi o Brasil perder também. Vi o Brasil perder na Copa da Rússia no estádio. Não quero carregar esse peso de ganhar ou perder. Espero que vá longe e a gente está melhorando. Como disse que o professor Ancelotti: “Calma”. Se for campeão, vai ser sensacional ver o Brasil campeão duas vezes, não tem preço”, destaca.

Lucas, Marçal Filho e Marçal Neto com torcedores de Escócia e Honduras na Copa do Mundo 2026. Foto: Arquivo pessoal.

Copa do Mundo é oportunidade de conhecer novas culturas

Além da tradição familiar, Justen Neto também vive a experiência de conhecer pessoas e culturas de outros países através do futebol. Para o advogado curitibano, a convivência e o aprendizado com outros povos é um dos momentos mais marcantes durante a Copa do Mundo.


“Fui em Uruguai x Cabo Verde e tinha muita torcida além desses dois países. Encontrei moçamibcanos, nicaraguenses, hondurenhos, gente de vários lugares que tem a oportunidade de viver a Copa mesmo que o país não esteja. O Brasil sempre está em todas as Copas e a gente tem isso como um fato. Para esses países, só de estar na Copa já é algo histórico. Os cabo-verdianos estavam assim, os haitianos disseram que estariam torcendo pelo Brasil se não tivessem participando. É uma oportunidade de conhecer outras culturas, mesmo que seja superficial em uma conversa. Você consegue ouvir histórias, compreender e entender o contexto daquelas pessoas. Eu acho isso muito rico“, fala.


Família leva o Athletico para a Copa

Durante as conversas, os curitibanos também aproveitam a Copa do Mundo para apresentar o Athletico, clube de coração deles, para os torcedores dos outros países. Ele conta que os torcedores latinos normalmente conhecem o time por causa das várias temporadas jogando Libertadores e Sul-Americana.

“Para os torcedores de outros países, nós precisamos explicar que é de Curitiba, uma cidade do Sul, e joga a primeira divisão. Pergunto o time que torcem e muitas vezes é diferente. Uns escoses torciam para um time pequeno da 3ª divisão que era da cidade deles. Tem gente que vem para a Copa por ser um evento grande de seleções e tem gente é muito fanático por futebol também, torcedor apaixonado por seus times”, finaliza.

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