A vitória do Flamengo sobre o Fluminense era algo esperado. E poderia ser mais fácil, construída com maior rapidez, não fossem os gols perdidos no primeiro tempo e um pênalti não dado ao líder do campeonato, mesmo com a intervenção do VAR. Os 2 a 0 não retrataram o abismo entre as equipes. E essa distância não é reflexo apenas da diferença de investimento e, consequentemente, técnica entre os elencos. Jorge Jesus tem jogadores melhores do que a maioria e os faz jogar muito mais futebol do que seus adversários.

Confira a CLASSIFICAÇÃO DO BRASILEIRÃO atualizada

Um quarto de temporada bastou para que o português transformasse profundamente a equipe. A diferença é, nítida e, indiscutivelmente, enorme, abissal. Para perder o título brasileiro o Flamengo terá que errar muito. Improvável, sim, mas facilmente compreensível, pois os rubro-negros reuniram bons e ótimos jogadores a um comando técnico muito superior à média nacional. A discussão sobre o futuro do certame, se acabou ou não, é tolice. Os flamenguistas perderão o título apenas se caírem em desgraça, cenário, hoje, inimaginável.

Há quem imagine que o Flamengo possa despencar no campeonato caso seja eliminado pelo Grêmio, quarta-feira, na Copa Libertadores. Caso os tricolores avancem, deixando o time carioca pelo caminho, obviamente poderá ocorrer uma queda imediata de rendimento, até pelo aspecto psicológico. Mas quanto tempo isso duraria? Por quantas rodadas o Flamengo ficaria abalado a ponto de cair tanto de rendimento devido à eventual desclassificação da competição internacional? Uma rodada? Duas? Três? A diferença para o Palmeiras é superior a isso. Difícil a mudança de roteiro.

***
Mano Menezes assumiu o comando do Palmeiras três pontos atrás dos líderes, Flamengo e Santos, com os rubro-negros à frente. Hoje a desvantagem do campeão brasileiro é de 10 pontos. Ou seja, a distância para o primeiro lugar na tabela de classificação mais do que triplicou desde que o ex-treinador do Cruzeiro chegou à equipe alviverde. Fica evidente que o discurso na direção da mudança de perfil, na forma de jogar, esbarra nas limitações que, aparentemente, são do próprio técnico.

***
Desde a apertada vitória sobre a Chapecoense, um dos piores times do Campeonato Brasileiro, o Corinthians não vence. São cinco jogos, sendo três empates, diante de Grêmio, Athletico e Goiás; e duas derrotas, para São Paulo e Cruzeiro, na noite de sábado, em Itaquera. Na semana, desde domingo, o time comandado por Fábio Carille atuou três vezes e fez um só ponto em nove possíveis, mesmo assim escapando por pouco da derrota para o Goiás na quarta-feira, quando Gustagol igualou o placar em 2 a 2 aos 51 minutos do segundo tempo.

O desempenho tem sido ruim, os resultados, piores e o ataque, inoperante. Os corintianos têm somente 30 gols em 27 partidas disputadas até aqui pelo Brasileiro. Isso significa que, com um jogo a menos, o Flamengo, que lidera a competição, já acumula 25 a mais. Juntos, Gabriel Barbosa, o Gabigol; e Bruno Henrique possuem 31 gols, um a mais do que os corintianos em todo o certame até o momento. A melhor defesa, que era do Corinthians, não é mais. O São Paulo agora tem tal status, depois dos cinco gols sofridos pelos alvinegros em três dias de intervalo.

Carille segue questionado, afinal, quando voltou da rápida passagem pela Arábia Saudita, seu retorno o transformou rapidamente no maior reforço do clube para 2019. Muitos jogadores foram contratados, mas o técnico não conseguiu alcançar seus objetivos, mesmo depois da parada para a disputa da Copa América, que era por ele tratada como estratégica, com promessas de um futebol melhor e mais competitivo assim que o torneio entre seleções chegasse ao seu final. Na prática isso não aconteceu com o time, estagnado.

Em jogos como o da noite de sábado, no qual o Cruzeiro, desesperado na luta para não cair, virou o placar e venceu por 2 a 1, escolhas do treinador da equipe tricampeã paulista são colocadas em discussão. Como a presença de Janderson e Gustagol entre os titulares, com os experientes Vágner Love e Mauro Boselli no banco de reservas. Se os escolhidos de Carille levassem o time à vitória, ele seria saudado e elogiado. Como não ganha há cinco partidas e os seus titulares de então não levam o time a voltar a vencer, recebe pertinentes críticas.

Fica cada vez mais clara a sensação de que falta repertório ao jovem técnico em seu (ainda!) terceiro ano como profissional no comando de uma equipe (antes de 2017 atuava como auxiliar, por muito tempo de Mano Menezes e Tite). Seus três títulos seguidos no campeonato estadual e o campeonato brasileiro ganho em 2017 o catapultaram rapidamente a um elevado patamar, mas com isso a cobrança se multiplicou e ele não vem conseguindo dar conta, como era a expectativa do torcedor em janeiro.

Parece, cada vez mais, se aproximar a hora de Fábio Carille beber em novas fontes de inspiração que o ajudem a encontrar caminhos diferentes dos costumeiramente trilhados pelos dois nomes mais pesados com os quais trabalhou. Ambos montam suas equipes com maior foco no sistema defensivo, algo que o atual treinador corintiano costuma fazer bem. Mas é preciso atacar, mais e melhor. E aí vem a pergunta: como? Pelo jeito a resposta deverá ser encontrada em algum outro lugar, conversando com outras pessoas, na busca por outras ideias.

Participe da conversa!
0