O questionamento do jornalista Victor Birner, no programa Linha de Passe, da ESPN Brasil, domingo passado, impõe a reflexão: afinal, o torcedor quer mesmo a utilização do VAR, o árbitro de vídeo, como recurso para eliminar dúvidas em lances polêmicos no futebol? Se a resposta é sim, deve ser acompanhada por bom senso e capacidade de engolir seco quando seu time tiver um gol irregular corretamente anulado, um pênalti não observado pelo árbitro de campo assinalado, uma expulsão confirmada depois que a agressão é vista e revista nas imagens.

O VAR, sigla do inglês "Video Assistant Referee", após testes começou a ser aplicado em partidas oficiais de profissionais há cerca de três anos com o aval da Fifa e desde 2019 integra a rotina do futebol brasileiro, especialmente na Série A. Mas apesar de já ter sido percorrido tempo o bastante para uma adaptação, o que se percebe é que muitos torcedores, e parte da imprensa, na prática resistem às suas decisões. Algo como um inconformismo quando um tento não é validado, mesmo que a irregularidade esteja diante dos olhos.

Obviamente a demora frequente das equipes que operam o equipamento tem sido um imenso problema para o apito nacional. Além de esfriar a partida, cria antipatia, irritação, esgota a paciência de todos. Especialmente porque existem modelos que escancaram a deficiência no manuseio do software que demarca as linhas azul e vermelha para a caracterização de um impedimento. Um jogo da Premier League, por exemplo, tem o trabalho do VAR exibido em tempo real pela televisão, em geral com muita rapidez. É bem diferente.

Queixas contra o VAR mesmo quando arbitragem acerta

Mas quando o vídeo é utilizado e, com ou sem demora, a arbitragem acerta uma marcação em lance não interpretativo, ainda assim há queixas. São os casos nos quais um atleta está comprovada e visivelmente impedido, ou é dado um pênalti porque algum jogador abriu o braço dentro da área e a bola nele tocou. São lances de, digamos, ciência exata, diferentes dos interpretativos, como as faltas sutis, ignoradas em muitas partes do mundo e marcadas com rigor incomum pela intervencionista arbitragem brasileira.

Faz todo sentido discutirmos a lentidão no uso da tecnologia. Faz todo sentido, sem bola rolando, debater se determinadas regras e recomendações têm nexo, se devem ser alteradas devido à introdução do vídeo no futebol etc. Mas não tem o menor cabimento ver um lance claro, como os acima citados, e debater se deveria ser marcado, ou não. Discutir se é certo corrigir erros. Diante de tantas reações de indignação com os acertos (pasmem) na torcida e até em segmentos da mídia, o questionamento de Birner se faz imperativo. Afinal, queremos o VAR ou não?

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Athletico em (nova) reconstrução

Dois times que demitiram seus técnicos nas partidas anteriores frente a frente na Arena da Baixada. O empate do Athletico contra o Red Bull Bragantino (1 a 1) significou o primeiro ponto ganho em cinco jogos e foi, ao mesmo tempo, resultado que praticamente estacionou o time na tabela.

O treinador interino, Eduardo Barros, falou em reconstrução do time. Na verdade um processo quase que contínuo no Furacão, que se desfaz sem parcimônia de boas equipes que forma e negocia todo e qualquer jogador quando lhe convir, mesmo no meio da temporada, como pode acontecer com Wellington.

Coritiba é pressionado, mas pontua

Três jogos sem perder, sete pontos em nove possíveis e duas partidas seguidas sem levar gol. O momento do Coritiba no campeonato brasileiro é bem aceitável depois de um começo com derrotas em série e troca de treinador. Mas é preciso entender que os jogos programados para as primeiras rodadas foram contra adversários mais fortes.

Contudo, o 0 a 0 fora de casa diante do Botafogo merece ser valorizado, pelo fato de o Coxa suportar a pressão alvinegra (17 finalizações contra sete, pelas estatísticas do SofaScore) quando o time carioca mais atacou. O bastante para sustentar pontinho valioso em uma luta que ainda está apenas no começo.

Paraná Clube vence mas jogo aéreo preocupa

Após dois jogos, o reencontro do Paraná com a vitória (2 a 1 sobre a Ponte Preta na Vila Capanema) valeu pelos três pontos que recolocaram o time perto da liderança da Série B. Mas com claros sinais que merecem preocupação.

Como as jogadas pelos lados do campo, facilmente desenvolvidas pela equipe paulista, bolas paradas e o jogo aéreo que permitiu o gol da Macaca e boas chances criadas depois que Bressan abriu o placar no comecinho da partida. O gol contra de Luizão que proporcionou o triunfo aos paranistas não esconde os problemas defensivos tricolores.

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