Análise

Se o futebol deve parar pelo “simbolismo”, que tal interromper o Big Brother?

Mesmo sem público nos estádios, o futebol vem servindo como uma distração para o público em casa. Em Curitiba, as partidas estão proibidas.

Um dos argumentos apresentados por quem defende a paralisação do futebol por causa da pandemia é o simbolismo. Os adeptos de tal tese alegam que a bola parada, sem rolar, representaria um sinal de respeito ao momento, com perto de 2 mil mortes diárias no país por causa do novo coronavírus. O esporte estaria dando um exemplo, deixando de distrair as pessoas nessa fase tão dura, difícil.

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Faria sentido se tal raciocínio fosse estendido a outras distrações, diferentes diversões. Caso do reality show “Big Brother Brasil” em sua enésima edição. Ora, seguindo tal linha de pensamento, se em respeito ao momento às vítimas, pessoas não podem, ou não devem, distrair-se com o esporte bretão, logicamente não seria aconselhável matar o tempo observando o grupo de confinados, suas tramas e diálogos profundos.

Como já foi amplamente divulgado, os profissionais do futebol são os mais testados do país. Talvez nem os que atuam na saúde, inclusive na linha de frente, sejam submetidos a exames para detecção da Covid-19 como quem tem um trabalho futebolísticos.

Claro que o tema deve ser bem discutido. Mas como mostrou Paulo Vinicius Coelho em seu blog, os europeus não interromperam os certames quando veio a segunda onda do vírus por terem entendido que, na pandemia, “o futebol conseguiu testar e jogar sem riscos para jogadores e famílias”.

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Falar em paralisação do futebol rende dividendos políticos. Pelos holofotes que o esporte atrai, tal medida é capaz de fazer com que parte da opinião pública fique ao lado do candidato em potencial que, no poder, a adote. E essa tem sido uma grande motivação para essas tomadas de decisão.

Enquanto isso, o “Big Brother” segue rolando, com festas, inclusive. Isolados, os ocupantes da casa não sabem quantas pessoas morrem a cada dia infectadas pelo novo coronavírus, tampouco têm conhecimento do surgimento das novas cepas.

E do lado de fora, milhões se divertem acompanhando a rotina desse pessoal. Normal? Mas pelo “simbolismo”, há quem ache inadequado que assistam partidas de futebol. Contraditório.

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