Pjanic no Barcelona, Arthur na Juventus. A troca, polêmica pelas cifras divulgadas, geraram manifestações de jornalistas brasileiros que vivem na Espanha nos últimos dias em suas redes sociais. Reações que ajudam a entender as cifras, digamos, turbinadas.

"Vender Arthur por €70M é uma forma do Barça fechar o exercício econômico no azul (e por isso precisa ser até 30/6). Pjanic entra como compra do próximo exercício. Foi assim com a troca Ciliessen-Neto, com €30M pra cá e pra lá. Basicamente: vender almoço pra comprar a janta", escreveu no Twitter, de Barcelona, Marcelo Bechler.

O FairPlay financeiro está desenhado assim desde sempre. Todos os anos os
clubes fazem isso. É um dos equívocos técnicos do modelo da Uefa", define
César Grafietti, consultor responsável pelas análises dos balanços dos clubes
feita pela equipe do Itaú BBA.

O especialista explica que tais manobras funcionam também nos empréstimos
com cláusula de desempenho. "Os clubes não podem se reforçar em
determinada janela de contratações porque já estouraram os limites, então
trazem atletas emprestados e colocam cláusula facilmente atingível para que ele
seja contratado na temporada seguinte", explica.

A Uefa pode analisar tais negociações e questionar, ainda que não costume
fazê-lo. "Aliás, para a Juventus também é importante, porque o valor do
Pjanic também gerará lucro contábil. Não é uma estratégia apenas do Barcelona,
e sim é do futebol europeu. O segredo está no registro dos atletas",
acrescenta Grafietti.

O especialista esclarece que, quando contratam um atleta, o valor é registrado no ativo e amortizado ao longo do contrato. "Se o clube pagou 100 num contrato de cinco anos, significa que o valor é reduzido em 20 a cada ano que passa. Assim, ao final do primeiro ano estará registrado por 80, ao final do segundo por 60... E por aí vai. Os 20 de amortização passam pelo resultado como uma 'despesa'", esclarece.

Ao final do quarto ano, o jogador está registrado por 20, afinal, faltará apenas 20%, um quinto do contrato para ser cumprido. "Assim, se o clube vende o atleta por 40, lança 40 nas receitas e 20 nas despesas (parte que estava registrada inicialmente), gerando lucro de 20", concluiu o analista e consultor.

Por essas e outras, jamais será possível crer que, na Europa ou aqui no Brasil, a adoção desse sistema de regulação financeira impedirá manobras contábeis, não pelos jogadores, mas por dirigentes e seus contadores. Irregulares? Não. Mas são ajustes de todos os jeitos, que deixam para trás o propósito básico do FairPlay, até com "pedaladas".

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