É óbvio que um técnico de futebol competente precisa de algum tempo para colocar em prática suas ideias e fazer um time funcionar bem. Mas não há certeza alguma de que isso acontecerá, muito menos em quantos meses a máquina funcionará a contento.

Também é evidente que treinadores são demitidos injustamente. Afinal, costumam ser alvo preferido de torcedores insatisfeitos e com isso encarnam o bode expiatório perfeito para cartolas que tentam se livrar da culpa em momentos de crise da equipe.

Mas é caótico o futebol brasileiro. Resultadista ao extremo, com boa parte da imprensa mais preocupada em analisar somente em função do placar. Qualidade do jogo, progressos de um time, perspectivas de avanços, nada disso costuma ser valorizado como se deveria.

E o rebaixamento é algo que apavora, pois representa queda de receitas, de prestígio, risco de tempos difíceis. O Ceará, por exemplo, ficou 16 anos na Série B, não caiu nem subiu, até atingir a Série A, ser rebaixado e voltar. O Paraná, por sua vez, passou uma década na Segundona.

O site FutDados.com fez levantamentos específicos sobre a situação de clubes já em situação ameaçadora no Campeonato Brasileiro da Série A. Números apavorantes que mostram o quão difícil é a decisão do dirigente que eventualmente insista com o treinador em fase ruim.

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Pois não cair é a meta dessas equipes, as que sobem e descem (“iô-Iô“), e outras, com mais dinheiro e torcida em momentos críticos. Daí a dificuldade, muitas vezes, na manutenção de um técnico quando as coisas não vão bem. Nessa, o Atlético ficou com Fernando Diniz por 12 rodadas.

Deveriam os dirigentes insistir no que não vinha funcionando, com o time na zona de rebaixamento? E se a queda se configurasse em dezembro, apesar de o treinador ter tido tanto tempo para treinar que nem comandou o time no Estadual, que o clube conquistou com equipe B.

Com Diniz o Furacão venceu um de seus últimos 14 jogos, perdendo nove. Depois dele, saiu derrotado uma vez em oito compromissos, vencendo três e empatando quatro, com 13 pontos em 24, ou 54,16% de aproveitamento. Não tomou gol em quatro de suas cinco pelejas mais recentes.

O time despencou em posse de bola e melhorou com Tiago Nunes. Diniz é ousado, e se fizer sucesso colaborará com o futebol pela sua preocupação com o jogar bem, mas não conseguiu êxito. Os motivos? Características dos jogadores incompatíveis com o estilo adotado parece uma delas.

Não seria melhor ele abrir mão parcialmente de suas convicções? Por que o clube deveria insistir naquilo que não vinha funcionando, correndo o risco de ser rebaixado? Apenas para ganhar elogios de que defende incondicionalmente a permanência de treinadores?

Lanterna da Série A, o Paraná com Rogério Micale registrou a maior sequência de partidas fora de casa sem marcar: cinco. Jogando em qualquer local, o time também apresenta a pior marca, com dez pelejas sem ir às redes. Acumulou, ainda, a maior série de derrotas longe de seus domínios, seis.

Em toda a temporada, tornou-se o time da primeira divisão com o maior percentual de jogos sem fazer gol, 43,75%, o menor número de vitórias, oito, a pior média de gols, 0,78, e saldo mais negativo, -13. O tricolor venceu somente um de seus últimos oito compromissos com Micale.

Ao somar 25,9% dos pontos, a equipe já precisava de um aproveitamento de 53% para chegar a 46 ao final, antes de enfrentar o Internacional. Isso dá uma ideia do grau de dificuldade para seguir na elite, tanto que Palmeiras e Atlético Mineiro entraram na rodada com 55,56%.

Já o Vasco tinha 13 gols sofridos em nove jogos antes de Jorginho (1,44 por jogo). Com ele, tomou 13 em sete partidas (1,86). Acumulava 12 pontos em nove jogos até o treinador retornar a São Januário (44,44%). Após sua volta fez sete em sete cotejos (33%). O rendimento caiu, muito.

Na temporada, os vascaínos já tinham a pior média da série A, 1,53 tento sofrido por jogo com Zé Ricardo. Jorginho piorou essa média: 16 em 10 jogos, ou seja, 1,60. Com os dois treinadores o time levou absurdos 69 gols em 2018 e nesta segunda-feira, ao receber o Ceará pode chegar ao 70º.

O Vasco de Jorginho, em todas as competições, só fez mais de um tento uma vez nos nove jogos posteriores à sua reestreia (3 a 2 no Sport). E foi nos 2 a 0 que não serviram para superar o Bahia na Copa do Brasil. Quando saiu, só o rubro-negro do Recife pontuara menos no pós-copa — vascaínos com um jogo a menos.

De todos esses clubes que trocaram de treinadores, na Série B talvez esteja um caso mais discutível. Não, os resultados com Eduardo Baptista não eram bons no Coritiba. Mas o orçamento curto coloca o Coxa no bolo de tantos outros, o elenco não está acima como o torcedor pode imaginar.

E a distância (três pontos) para a zona de acesso à primeira divisão poderia ser eliminada em uma rodada. Talvez fosse o caso de esperar mais um pouco. Fato é que as precipitações de dirigentes são comuns, mas isso não faz de treinadores seres intocáveis.

Daí vem a clássica pergunta: quando é a hora de trocar de técnico. A meu ver, quando não se percebe evolução na equipe, você vê o time em campo e os mesmos problemas persistem, não se nota solução ou pelo menos alguma perspectiva de melhora. Aí é melhor não pecar por omissão.

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A derrota para o Atlético, na reinauguração do estádio (Antônio Accioly, agora capaz de receber 10.501 torcedores) do clube de Goiânia, mostrou, mais uma vez, um Coritiba com pequena capacidade de ameaçar o adversário. Sob o comando de Tcheco, seguiu como equipe que mal infiltra na área inimiga e pouco finaliza.Não por acaso é o quarto pior desempenho em arremates na Série B. Apenas Juventude, Figueirense e São Bento finalizam menos do que o time paranaense.

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Com Rogério Micale o Paraná trocava, em média, 322 passes certos por jogo no campeonato brasileiro, média superior à do São Paulo e oito outros times. Ficava, ainda, 48% do tempo com a pelota nos pés. Na estreia de Claudinei Oliveira, registrou só 36% na posse de bola e trocou apenas 136 passes diante do Internacional, com seus 472. Mudança clara de comportamento de um time que foi ao Beira Rio garimpar pelo menos um ponto. Perdeu com gol aos 51 minutos do segundo tempo, mas deixou uma clara sensação: o novo estilo adotado parece mais adequado para o elenco, que buscará quase milagrosa reação no segundo turno para escapar do rebaixamento.

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Foram apenas 229 passes certos trocados pelo Atlético nos 3 a 0 sobre o Flamengo. A menor marca com Tiago Nunes, ou seja, aproximadamente 40% da média dos tempos de Fernando Diniz, que deixou o comando da equipe com 551 por jogo, segundo as estatísticas do Footstats. O time, que precisava de 14 arremates para fazer um gol, finalizou exatamente este número de vezes (10 no alvo) e marcou três tentos.

Vertical, veloz, mais incisivo, a cada partida fica claro, o elenco atleticano não absorveu as ideias de Diniz, e jogando de maneira, digamos, menos técnica, sofisticada, apresenta desempenho superior. Em suma, por mais que possamos desejar times que atuem de maneira mais clássica, envolvendo os adversários no bom toque de bola, é preciso material humano e treinadores capazes. E as necessidades dos clubes sempre “falarão” mais alto.

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