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Análise

Morte de meninos do Flamengo faz 20 meses. Até hoje ninguém foi responsabilizado

Tragédia no Ninho completa 20 meses.
Tragédia no Ninho completa 20 meses.| Foto: Reprodução
  • PorMauro Cezar Pereira
  • 08/10/2020 18:39

As mortes de dez meninos das divisões de base do Flamengo completa 20 meses nesta quinta-feira (8). Em 8 de fevereiro de 2019, Arthur Vinicius, Athila Paixão, Bernardo Pisetta, Christian Esmério, Gedson Santos, Jorge Eduardo, Pablo Henrique, Rykelmo Viana, Samuel Thomas e Vitor Isaías morreram em incêndio no Centro de Treinamentos do clube, chamado de "Ninho do Urubu".

Os "Garotos do Ninho", como ficaram conhecidos, dormiram em instalações provisórias durante anos. Mas em poucos dias uma nova estrutura à disposição deles deveria estar pronta para recebê-los, com a chegada de mobiliário e itens finais. E o que é tratado por alguns como fatalidade, ganhou contornos mais grave após reveladora reportagem do portal UOL publicada há um mês.

Os repórteres Léo Burlá e Pedro Ivo Almeida tiveram a acesso a e-mails que foram trocados antes da tragédia, e evidenciam que pessoas do Flamengo sabiam dos riscos, devido a problemas nas instalações elétricas desde 11 de maio de 2018, ou seja, cerca de nove meses antes do incêndio. Apesar disso, até hoje a justiça não apontou responsáveis pelas mortes dos meninos.

CT Ninho do Urubu foi atingido por incêndio em fevereiro de 2019
CT Ninho do Urubu foi atingido por incêndio em fevereiro de 2019| Tomaz Silva/Agência Brasil

A coluna apurou que, desde então, o Ministério Público do Rio de Janeiro vem trabalhando na denúncia à luz dos novos elementos trazidos pela reveladora matéria. Contudo, o caso segue parado, mesmo com as constantes iniciativas do MPRJ, por meio do GAEDEST (Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor). Já a pandemia, que paralisou setores da justiça, retarda processos desde março.

Em junho, o Ministério Público do Rio de Janeiro já havia definido os nomes a serem denunciados, inclusive com a sugestão de indiciamento dos envolvidos por incêndio culposo com resultado de morte. Com o caso sob apreciação de instância superior, não é possível fazer previsões a respeito de prazos para denúncia dos possíveis responsáveis pelo incêndio.

Paralelamente aos movimentos paquidérmicos da justiça, o Flamengo segue sem acordo com três famílias e meia para indenizações. Seis delas chegaram a um consenso e uma se dividiu, o pai se acertou com o clube, mas a mão está disposta a lutar nos tribunais. Um pesadelo sem fim que chega ao vigésimo mês com pouco destaque na mídia, para muitos, como se jamais tivesse acontecido.

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