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Análise

Messi no Manchester City? Fair Play Financeiro não deverá ser obstáculo

Guardiola, técnico do City, e Lionel Messi, quando ambos estavam no Barcelona. Voltarão a estar juntos?
Guardiola, técnico do City, e Lionel Messi, quando ambos estavam no Barcelona. Voltarão a estar juntos?| Foto: AFP
  • PorMauro Cezar Pereira
  • 26/08/2020 17:26

Se o Manchester City quiser contratar Lionel Messi, o Fair Play Financeiro da Uefa será obstáculo? Essa é uma pergunta que se repete desde o momento no qual a intenção do argentino de sair do Barcelona tornou-se de conhecimento público. Para o especialista e consultor César Grafietti, as regras que controlam os gastos dos clubes europeus não deverão ser problema para o time inglês e seus proprietários/investidores dos Emirados Árabes Unidos.

"A contratação em si não deve gerar grande impacto, considerando que os clubes podem investir até € 100 milhões líquidos de vendas sem ter que dar explicações. Se ultrapassam o valor, precisam apresentar garantias e explicar como pensam em pagar a compra. Não me parece um problema para o Manchester City, inclusive porque há chances de inclusão de atletas nessa transação", analisa Grafietti, líder da equipe do Itaú BBA que analisa os balanços dos clubes brasileiros.

Messi no City representaria impacto nos gastos salariais

Para ele, o impacto poderá ser detectado nos gastos salariais, que possivelmente subiriam muito além do que os Citizens já gastam. "Mas também parece haver como contornar. Com saída de atletas e receitas que podem ser adicionadas ao fato do Messi chegar ao clube. Isso ajudaria a garantir o equilíbrio. Veja o caso do Cristiano Ronaldo na Juventus. Ele chegou e nem por isso o clube quebrou as regras", cita.

Grafietti ressalta que clubes como o vice-campeão da Premier League recebem enorme verba de TV e já têm boas receitas comerciais, com mais capacidade de aquisições. "É diferente do Paris Saint-Germain quando contratou Neymar e Mbappé, pois o faturamento do clube era bem menor à época", compara. Na ocasião, o jovem atacante francês deixou o Monaco em manobra que envolveu uma espécie de empréstimo com o compromisso de compra.

Saídas de Sané e David Silva abrem espaço na folha salarial

O alemão Leroy Sané, contratado pelo Bayern, gerou cerca de £50 milhões ao Manchester City, aliviando também a folha de pagamento. Outro que tirou peso do custo mensal com remuneração dos atletas foi David Silva. O espanhol deixou o clube ao final de seu contrato. Por outro lado o time de Pep Guardiola foi buscar Ferrán Torres, do Valencia, por £24,5 milhões; e Nathan Aké, ex-Bournemouth, pagando £41 milhões.

César Grafietti explica que há um procedimento geral nos clubes europeus, por meio do qual evitam serem pegos por quebra de Fair Play. Todos têm pessoas que avaliam isso dentro de suas equipes financeiras. "Nenhum deverá ser irresponsável a ponto de fazer movimentações impossíveis de serem pagas, ou que gerem punições e investigações. O recente julgamento do próprio Manchester City colocou os holofotes sobre o tema", acrescenta.

O consultor destaca, ainda, que ao contrário do que ocorre no Brasil, onde os dirigentes gastam antes e depois buscam as receitas, na maioria das vezes sem consegui-las, na Europa os clubes planejam antes. Pelo menos pelo aspecto financeiro, o caminho parece livre para Messi se mudar rumo a Manchester. Mas antes o craque precisará desatar o nó do imbróglio envolvendo sua rescisão contratual com o Barcelona.

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