Na 24ª finalização, a décima no alvo, o Manchester City fez o quinto gol na vitória sobre o Burnley, sábado, pelo Campeonato Inglês, que lidera. O time dirigido por Pep Guardiola é a antítese de muitas equipes brasileiras, inclusive as que obtêm sucesso por aqui, onde muitas quando fazem um, no máximo dois gols, se fecham para sustentar o placar.

Já o campeão da Premier Legue segue atacando, mandando a bola nas redes, mostra frequentemente que há formas mais convincentes de vencer. Os 24 arremates daquela que foi a sétima vitória em nove jogos superam o dobro da média dos times que mais disparam contra o adversário no Campeonato Brasileiro, todos abaixo de 12.

Na média, o campeão da Inglaterra tem mais de 15 finalizações por jogo. O Palmeiras, líder da Série A, entrou na 30ª rodada com 10. Nítido retrato das propostas de jogo, da ambição de quem ataca, agride, busca o gol todo o tempo, e equipes mais preocupadas em sustentar uma magra vantagem. Falta apetite, coragem, qualidade no futebol.

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Alguém dirá, obviamente, que a qualidade dos jogadores que atuam nos melhores times da liga inglesa é muito superior àquela com a qual convivemos em nossos clubes. Fato, sem dúvida. Da mesma forma que os adversários também têm muito mais recursos do que os encarados pelas equipes mais fortes da primeira divisão do Brasil.

Se o elenco mais “barato” da Premier Legue, o Cardiff City, está avaliado em €94,25 milhões, o palmeirense — mais caro do Brasileirão — vale €76,93 milhões. A disparidade é gritante, como mostra o site Transfermarket. Mas para atacar mais não é preciso tanto, especialmente ante grupos de atletas como o do Paraná (€14,23 milhões).

O que falta então? Jogo ofensivo, apetite pelo gol, desejo de mostrar mais, inquietude. No Brasil ainda valem máximas (?) como “1 a 0 é goleada”, “o importante são os três pontos”, “hoje o importante era vencer”. Raramente se ouve desabafos sinceros como “poderíamos fazer mais”, “não criamos o bastante”, “vencemos, mas não convencemos”.

Não, na Europa nem todos buscam o gol como o time de Guardiola. Na própria Premier League, na mesma cidade de Manchester, o United de José Mourinho tem média de finalizações inferior a sete equipes da Série A do Brasil, abaixo de 10 por peleja. Mesmo com um dos cinco elencos mais caros da Inglaterra, onde é sétimo no ranking de arremates.

Por isso, no contexto importa a discussão, o debate, a reflexão. Por que fazer 1 a 0 e recuar para contra-atacar se o jogo apresenta cenário favorável à insistência ofensiva, busca por mais gols e aproximação da vitória? E, perto dela, seguir remando para, se possível, golear? Qual a barreira que impede a existência de mais times assim no Brasil?

No campeonato inglês, o Manchester City já fez 6 a 1 no Huddersfield, 3 a 0 no Fulham, 5 a 0 no Cardiff e o mesmo placar sobre o Burnley. Quatro vitórias por pelo menos três gols de vantagem em nove aparições. Líder no Brasil e um dos três melhores ataques do certame, o Palmeiras tem um trio de 3 a 0 como placares mais elásticos. Em 30 jogos!

É idêntico o retrospecto do Internacional, que passou a semana em segundo lugar. Já o Flamengo, que assumiu a segunda posição ao vencer o Paraná, agora tem quatro triunfos por 3 a 0, além de outra vitória mais folgada: 4 a 1. Pouco no geral. E não faltam times com perto de meia centena de gols sofridos, dois (Vasco e Vitória) com mais de 80 no ano.

Apetite, volúpia, fome, desejo, tesão pelo gol. É o que falta num futebol marcado pelo resultadismo, acomodação, cartolas descontrolados procurando culpados para que não sejam responsabilizados e treinadores defendendo seus empregos, abraçados à mediocridade. Podemos questionar tal cenário, ou a eles irmos nos acostumando. Prefiro a primeira opção.

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CORITIBA

Albari Rosa/Gazeta do Povo

Seis pontos e seis times entre o Coritiba e a posição sonhada, a quarta colocação no Campeonato Brasileiro da Série B, que leva à primeira divisão em 2019. O time não perde há cinco partidas, mas dessas empatou três, e não há mais tempo para deixar nada pelo caminho. A distância para a posição sonhada segue variando entre cinco e seis pontos há quatro rodadas, com menos 12 em jogo desde então. O maior sinal de que a esperança é mínima foi dada pelo próprio técnico Argel Fucks, quando celebrou a invencibilidade, essa mesmo que não faz o Coxa sair do lugar, e a matemática que livra o time do risco de rebaixamento para a terceira divisão. Qualquer coisa já parece consolar nesse clima de inevitável conformismo.

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ATLÉTICO

Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

Se há um time curitibano que pode celebrar a fuga da queda é o Atlético. Mergulhado na zona de rebaixamento, o time reagiu intensamente após a troca de treinador não apenas deixou a parte de baixo da classificação, como mantém forte campanha no segundo turno, sempre entre os quatro ou cinco melhores nesta etapa do campeonato. Sábado, no Morumbi, o time teve muito mais posse de bola (61%), trocou 480 passes contra 186 do São Paulo e se impôs com maturidade. Não foi o melhor resultado possível, mas a atuação, segura, evidenciou o progresso da equipe, que deverá se livrar matematicamente de qualquer risco de queda e poderá mirar a Copa Sul-americana, cada vez mais concreta como grande meta de 2018.

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