A Gazeta do Povo apresenta aos leitores textos dos integrantes da equipe de Esportes sobre os melhores livros de futebol que já leram. Relatos pessoais de viagens esportivas pela literatura. Leia e indique os seus preferidos nos comentários!

Tática, história, evolução, violência, amor, fanatismo, política: livros e futebol, por Mauro Cezar Pereira

O melhor livro de futebol que já li? A interrogação resume minha reação ante o tema proposto pela Gazeta do Povo para este fim de semana. Parei, pensei, refleti e concluí ser impossível citar um, apenas um. Como não conseguirei enumerar todos os que abordam o nosso esporte e valem a pena. Precisaria escrever mais do que uma coluna. Talvez um livro sobre tantos livros.

Seria também injusto apontar os melhores ou algo assim, afinal, são muitas obras disponíveis que valem a pena, ainda mais em tempos nos quais muitas pessoas têm mais… tempo. Como não sou fã de listas ("os 10 melhores disso", "os 50 mais daquilo"), selecionei algumas opções diversificadas, o que mostra como o futebol vai muito além do campo e bola.

"A Dança dos Deuses: futebol, cultura, sociedade", escrito por Hilário Franco Junior, tem uma pegada um tanto acadêmica, de fato, mas isso não deve assustar. Lançado em 2007, mostra como o futebol se conecta com o desenvolvimento do mundo civilizado. O prefácio destaca em suas primeiras linhas: "No Brasil, o futebol é bastante jogado, mas insuficientemente estudado". Fato.

Assim, passam pelas 433 páginas sociologia, religiosidade, linguística, antropologia, uso do esporte para fins políticos, inclusive pelo fascismo e em meio à ditadura militar brasileira. A obra arte da origem do jogo, deslancha meio ao seu incrível desenvolvimento, alastrando-se pela Europa e chegando à América do Sul, ao Brasil.

Para quem deseja entender a mente de um super-treinador, capaz de ver o futebol sob uma ótica abrangente, e até de promover uma pequena revolução no jogo, "Guardiola Confidencial" e "Guardiola: a Evolução", de Martí Perarnau, são fundamentais. Ambos trazem bastidores do trabalho do técnico catalão em sua passagem pelo Bayern Munique. Perfeito para quem deseja conhecer a mente de Pep, como funciona, trabalha e cria o que se vê em seus times.

"Eu e o Futebol", de Almir Albuquerque, o Pernambuquinho, foi lançado em 1985 a partir da coletânea de textos publicados pela revista Placar. Só se encontra em sebos ou pesquisando livros usados na internet. É a verdade nua e crua e a vida do jogador numa época menos glamurosa e mais intensa, viva, violenta até. Pelo menos para o mais polêmico entre os polêmicos da bola. É um incrível relato que vai dos aos treinos e jogos ao doping.

Sport Recife, Vasco, Santos, Corinthians, Flamengo, América (RJ), Boca Juniors e Genoa (Itália) foram camisas que vestiu. Virou “Pelé branco” usar a 10 santista em final de Mundial de clubes. Então rubro-negro, acabou com a final carioca de 1966, promovendo uma briga generalizada ao concluir que o jogo estava "armado" para o Bangu. Morreu assassinado no bar “Rio Jerez”, em frente à Galeria Alaska, Copacabana, em 1973. Um personagem rico, incomum.

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"Como o Futebol Explica o Mundo", do jornalista americano Franklin Foer, expõe fatos e questionamentos, aborda o futebol na globalização e suas inúmeras vertentes. Trafega por diferentes universos e temas. Vai da rivalidade religiosa entre os escoceses Glasgow Rangers e Celtic aos balcãs. Passa pelo islã, aborda o hooliganismo, vai à Itália, à Catalunha e chega ao Brasil.

Do estádio como ambiente perfeito para a aproximação entre pai e filho, aos relacionamentos interrompidos por uma paixão maior, "Febre de Bola", de Nick Hornby, é um clássico. Foi escrito nos tempos em que o Arsenal, time do autor, não fracassava como hoje. Era pior. Então ele nem imaginava que os Gunners dominariam o futebol inglês tempos depois, com Arsène Wenger, época dourada que também passou. E até hoje vale.

Hornby frequentava o velho Highbury, onde seu time atuava, quando crescia o fenômeno da violência entre torcedores ingleses, os hooligans. "Entre os Vândalos", do americano Bill Buford, é um espetacular relato do jornalista que conviveu com os eles quase quatro anos. O melhor do livro é que mostra como a sensação de pertencimento, amizade, lealdade e compromisso podem transformar um homem de maneira inacreditável.

Da mesma família é “La Doce – A Explosiva História da Torcida Organizada Mais Temida do Mundo”. Autor da obra, o jornalista Gustavo Grabia relata as entranhas da "Barra Brava" do time mais popular da Argentina, suas conexões com o poder e guerras internas pelo controle. A versão brasileira, por sinal, conta com uma introdução escrita por seu colunista sobre as torcidas organizadas brasileiras. Boa leitura!

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