O veto dos clubes da Premier League e de La Liga, organizadoras dos campeonatos de futebol da primeira divisão na Inglaterra e Espanha, foi enfático. Jogadores sob contrato com as agremiações que pertencem a elas não serão liberados para atuar nos países que fazem parte da “lista vermelha” nos jogos das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022 marcados para setembro.

O Brasil, como é de se imaginar, está entre essas nações onde o novo coronavírus ainda assusta muito. Se um atleta que atua na Inglaterra deixar o Reino Unido para jogar pelo time brasileiro na América do Sul, ele precisará de uma quarentena até voltar a atuar por seu clube. E quem paga milhões para ter esses jogadores não está disposto a entrar em campo sem eles por duas, três partidas por causa de seleções.

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Esse embate demorou a acontecer. Surge no momento em que a Fifa planeja a realização da Copa do Mundo a cada dois anos, ao invés de quatro, como acontece há mais de nove décadas, exceção do período da Segunda Guerra Mundial.

A ganância dos cartolas move tais planos. Eles querem mais e mais jogos de seleções, reduzindo a temporada dos clubes para faturar, e colocando os seus astros em ação com as camisas dos países.

Esse negócio que favorece às federações e confederações nacionais é o melhor do mundo. Elas convocam os atletas, as agremiações não têm o direito de recusar, os utilizam e ganham dinheiro de patrocinadores, quotas de transmissão das partidas etc. Não precisam manter elencos, pagar multas rescisórias para se reforçarem, gastando algo apenas quando faturam, ou seja, nos períodos em que as seleções se reúnem.

E em alguns casos devolvem os atletas lesionados. Na temporada passada, o Bayern Munique defendia o título europeu e reencontraria o Paris Saint-Germain, repetindo o duelo de decidiu a Liga dos Campeões da Uefa na temporada anterior. Pois o time alemão não contou com seu artilheiro.

Eleito melhor jogador do mundo, Robert Lewandowski, que se machucou defendendo a seleção da Polônia em inexpressivo jogo contra a pífia equipe de Andorra. Sem ele, o Bayern perdeu uma infinidade de chances de gol e o PSG eliminou o conjunto germânico. Imaginem o prejuízo técnico e financeiro do clube.

Já passa da hora de os clubes dizerem “não” aos abusos da Fifa, das entidades continentais, como Conmebol e Uefa, das federações e confederações nacionais. Essa relação vampiresca passa do tolerável e parece capitaneada por gente que não tem limites.

E você, de que lado fica nessa queda de braço, prefere seu time ou seleções?

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