Bayern Munique e Paris Saint-Germain farão neste domingo, em Lisboa, a final da Liga dos Campeões da Uefa, a União Europeia de Futebol. Trata-se da competição de clubes mais importante do mundo na modalidade, cuja decisão, a disputa do título, como evento têm magnitude comparável à de uma Copa do Mundo.

O jogo que chama a atenção do planeta, não apenas do continente onde o certame é disputado, atrai atrações, catapulta carreiras e coloca profissionais de primeiríssima linha na berlinda, em questionamento. Ganhar ou perder a peleja final pode mudar destinos, abarrotar cofres de clubes, impulsionar negócios.

E, claro, ser campeão significa reconhecimento mundial, não apenas na Europa. É o mesmo que dar à torcida uma alegria incomensurável, principalmente quando se trata de um clube que já faz muito tempo não ergue a “orelhuda”, como foi apelidada a taça da Champions. Ou que jamais teve tamanha honra em sua história.

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Diante disso, é absolutamente natural que Neymar, às vésperas de mais uma decisão de tal competição, esteja próximo de um dos maiores momentos de glória que poderá viver em sua carreira. Ele foi contratado pelo PSG por €222 milhões com objetivo esportivo de ajudar o clube de Paris a dominar o futebol na França, tarefa simples para o forte time que o cerca, e, principalmente, ganhar o título continental.

O brasileiro já foi campeão europeu, pelo Barcelona, em 2015, quando formou um diabólico trio com Messi e Suárez. Neymar foi tão ou mais importante do que o craque argentino naquela campanha, encerrou o torneio como um dos principais artilheiros e marcou gol na final contra a Juventus, em Berlim. Portanto, não seria inédito.

Neymar já conquistou a Champions com o Barça. Agora, busca o bi pelo PSG. Foto: C.Gavelle/PSG
Neymar já conquistou a Champions com o Barça. Agora, busca o bi pelo PSG. Foto: C.Gavelle/PSG

Contudo, se o PSG for campeão com Neymar jogando uma grande partida, ele terá mais um vez a chance de levantar o emblemático troféu, só que como grande protagonista, mesmo que o jovem Mbappé “ameace” brilhar tanto ou mais. Por que o brasileiro é o símbolo desse Paris Saint-Germain rico, turbinado com o dinheiro do Catar.

Nos referimos a um clube com apenas meio século de existência. E que leva a campo um time de futebol que, ao mesmo tempo, opera como ferramenta de propaganda geopolítica do pequeno país encravado no Oriente Médio. Dominar a Europa, futebolisticamente falando, é a grande meta, algo vital, estratégico.

Antes do aporte da grana árabe, o time da capital francesa mal participava da Liga dos Campeões. Se for campeão, o mundo saberá que os cataris tornaram isso possível, uma realidade. Portanto, há muito em jogo nessa final contra o time da região mais rica da Alemanha, maior economia europeia.

O Bayern é a Baviera e seus jogadores ostentam nas mangas das camisas um desenho da “orelhuda” com o número cinco, representando a quantidade de títulos da competição que o clube possui. O último foi conquistado em 2013, ano do primeiro campeonato francês na série de sete que o time parisiense ganhou nas oito últimas temporadas.

Faturar o troféu deve ser, obviamente, a grande meta de todos os jogadores envolvidos na final deste domingo. Mas possivelmente nenhum deles encarará a vitória como algo tão relevante quanto Neymar, caso triunfe. Por tudo que envolve sua participação, pela maneira como foi contratado e se transformou no mais caro jogador da história.

Em meio a tamanha responsabilidade, diante de tal desafio, não são poucos os que, no Brasil especialmente, dão maior importância à possibilidade de o brasileiro ser eleito o melhor jogador do mundo pela Fifa. A escolha nasce dos votos de um colégio eleitoral grande, confuso e de qualificação questionável.

Bizarro que uma premiação individual no futebol possa ser destacada como se tivesse mais relevância do que um título, uma conquista coletiva, algo que é do time, do clube, da torcida. E do Emir do Catar! Ganhar esse concurso cafona e enfadonho que serve apenas para movimentar a Fifa e seus parceiros seria mera consequência do que Neymar fizer em campo.

Caso seja campeão e mesmo assim não o escolherem, e daí? A prioridade é o jogo de domingo. Isso é indiscutível. Uma partida extremamente difícil e que requer enorme concentração. Primeiro o time, depois os objetivos pessoais. Funciona assim. E se deixar de ser, detenham a Fifa, antes que mate o futebol.

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