É preciso ser muito ingênuo para acreditar que os argentinos resolveram, sem mais nem menos, levar ao gramado da Neo Química Arena quatro jogadores que atuam na Inglaterra, moram no Reino Unido, portanto, e a priori precisariam passar por uma quarentena após o desembarque no Brasil. Ainda mais depois de tudo o que aconteceu nos últimos tempos.

Já tivemos Copa América de última hora em solo brasileiro entre junho e julho. E com o entra-e-sai dos próprios integrantes da delegação argentina, que voltava ao Centro de Treinamentos de Ezeiza, perto do aeroporto internacional, em Buenos Aires, após cada compromisso pelo certame que inicialmente seria lá. E tudo estava bem para todos os envolvidos.

Como informou o jornalista Marcel Rizzo, no UOL, há um acordo de de flexibilização sanitária na entrada das delegações nos países para jogos. Vem do ano passado e envolve a Conmebol e os governos dos dez países a ela filiados. Assim os jogadores do Brasil entraram no Chile e jogaram quatro dias antes, sem quarentena. Está claro que os argentinos confiaram nisso.

Segundo o jornal Clarín, a AFA (Asociación del Fútbol Argentino) tinha a palavra da Conmebol de que tudo estava em ordem e os quatro atletas que atuam no futebol inglês poderiam atuar em solo brasileiro como jogaram na quinta-feira, como visitantes, frente à Venezuela. O imbróglio é muito maior do que se imagina e não pode ser analisado de maneira simplista.

É evidente que ao não preencherem corretamente o formulário de entrada no país, os atletas argentinos erraram. Mas o fizeram por iniciativa própria, os quatro(!) ou seguindo orientações da entidade, que de acordo com as informações do maior jornal da Argentina acreditava que estava tudo contornado? Está claro que não é algo tão simples como tratam alguns.

Ainda de acordo com o UOL, "no alto escalão da Conmebol, a versão é que houve um acordo com as autoridades brasileiras para que os jogadores participassem da partida mesmo sem ter seguido a quarentena". E mais: "o discurso que vem da entidade sul-americana é que ontem (sábado) o ministro da Saúde deu as garantias que o jogo fosse disputado".

Não é difícil perceber quem está errado, complicado é enxergar alguém com total razão. Até a Anvisa pode ser questionada, afinal poderia ter ido aos jogadores com a Polícia Federal e encaminhá-los à quarentena, ou imediata deportação, sexta-feira, quando a delegação argentina chegou a São Paulo, sábado ou domingo antes da saída do ônibus para o estádio.

Participe da conversa!
0