No relatório do Itaú BBA sobre as finanças dos clubes de futebol a partir dos balanços de 2020, está registrado. "O que deu certo: Receitas com venda de atletas; Desempenho esportivo; Boa gestão das ferramentas de fluxo de caixa na pandemia. O que não funcionou: Nada de relevante, considerando o ano".

Adiante, o documento destaca que o clube foi "um dos que melhor soube lidar com os desafios da pandemia. Fruto de uma gestão que busca o equilíbrio como referência (…). As quedas em Bilheteria e Patrocínio foram compensadas com venda de atletas, cujos valores de vendas passadas ajudaram a adicionar caixa à operação em 2020".

Os elogios não ficaram nisso, enfatizando que a "capacidade de postergar pagamento de salários e endividamento que não pressiona o clube. Dessa forma foi possível até seguir investindo sem desestruturar a posição financeira (…). Exemplo de que o valor da boa gestão se vê nos bons momentos, mas especialmente nos momentos de crise".

O que fazer então? O Itaú BBA sugere "seguir a estratégia", controlando a ansiedade de gastar além da conta, "um dos erros mais comuns no futebol". A avaliação geral de 2020 foi positiva e para este ano a expectativa era algo igual, ou neutro. Em suma, trata-se de uma agremiação que passou bem pelo terrível momento da pandemia e tinha condições de projetar dias melhores em 2021.

O clube em questão é o Grêmio, que está virtualmente rebaixado para a segunda divisão. O time depende de uma vitória sobre o Atlético Mineiro na rodada final. Além disso, dois clubes de um trio que está à sua frente não poderão pontuar: Juventude, que fará mais dois jogos; Cuiabá, também tem duas partidas pela frente; e Bahia, uma. Óbvio que é muito improvável os gremistas não participarem da Série B em 2022.

Os erros no futebol tricolor se intensificaram com a manutenção de Renato Gaúcho Portaluppi no comando técnico depois de uma campanha aquém na temporada passada. Verdade, chegou às semifinais da Libertadores, mas saiu sendo goleado pelo segundo ano seguido, em 2019 pelo Flamengo e no ano seguinte diante do Santos. Na Copa do Brasil alcançou as finais, mas o Palmeiras derrotou o Grêmio com facilidade.

A fórmula chegara ao fim, era hora de mudar, mas os dirigentes gremistas, tão elogiados pela gestão, insistiram com o velho ídolo. Assim, Renato participou da formação do elenco para 2021, que deixou depois de eliminado na primeira fase da Libertadores pelo Indepediente Del Valle, com derrotas no Paraguai (campo neutro) e Porto Alegre. Começava ali o inferno gremista.

Vieram Tiago Nunes, Luiz Felipe Scolari e Vágner Mancini, num troca-troca frenético de treinadores, sem qualquer resultado efetivo. O rebaixamento aparentemente virá, não depende mais do Grêmio evitá-lo e o equilíbrio financeiro será importantíssimo na recuperação do clube. Mas a quota de erros foi esgotada, com sobras. É preciso fazer tudo diferente no futebol, cuja gestão corre separadamente. Em 2021 não houve sintonia.

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