“A partida não será na Arena. O estádio do Atlético Paranaense não tem condições de receber 40 mil pessoas e não adianta fazer mais nada porque a posição da Confederação é definitiva”. A frase do diretor de comunicações da Conmebol, Nestor Benítez, em junho de 2005, praticamente sentenciou a derrota do Furacão na final da Libertadores daquele ano.

O estádio rubro-negro, então apto a receber 24 mil torcedores, recebeu obra relâmpago com a instalação de arquibancadas provisórias que elevariam a capacidade em 16 mil lugares. O Santo André, por sinal, havia utilizado estrutura do gênero na fase de grupos no Estádio Bruno José Daniel. Mas todo o esforço atleticano foi em vão.

“Um clube emergente como o nosso, de repente começa a aparecer e em poucos anos tinha seu Centro de Treinamentos, seu estádio… Foi campeão brasileiro em 2001, quase bi em 2004 e finalista da Copa Libertadores em 2005. Isso assustou muito o establishment“, disse à coluna o presidente do Conselho Deliberativo do Atlético, Mario Celso Petraglia.

Assim, a primeira partida decisiva diante do São Paulo aconteceu em Porto Alegre, no neutro Beira-Rio, a 750 quilômetros da capital do Paraná. Longe do seu caldeirão, o Atlético não foi além de um empate (1 a 1). Sem a vantagem que esperava adquirir na Arena, na volta o time rubro-negro levou um gol aos 16 minutos no Morumbi e terminou goleado por 4 a 0.

“O Leoz (Nicolás, então presidente da Conmebol) tinha envolvimento muito forte com o São Paulo Futebol Clube, com o Marco Polo Del Nero (era presidente da Federação Paulista), ele estudou engenharia em São Paulo e tinha essa ligação. A LG era promotora da Conmebol e do São Paulo”, relata Petraglia.

“Temos até hoje todas as comprovações legais e atestados exigidos por Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, todos os órgãos competentes, comprovando que nossa capacidade era de 40 mil lugares. Foi uma canetada absurda que impediu que o Atlético Paranaense jogasse a final em seu estádio”, protesta.

O gosto amargo na boca de cada atleticano persiste. Era a sensação de que, diante de um oponente mais forte e influente, perdera a chance de igualar o duelo fazendo a diferença em casa, como ocorria desde o Brasileiro conquistado em 2001. Os são-paulinos, por sinal, só venceram na Arena pela primeira vez em 2018.

“Claro que se fosse o Palmeiras ou o Vasco da Gama, que tiveram finais da Libertadores jogando em seus estádios… o Palmeiras jogou a final no Parque Antártica! Não tenho dúvida de que não fariam a canetada“, afirma o dirigente do Furacão.

Bastidores pesam no futebol. Na época, o São Paulo não queria jogar no estádio atleticano, apoiado no tolo item do regulamento que exigia 40 mil lugares, quando a Arena tinha, totais condições de receber a partida. Era, então, um dos mais modernos palcos do país. Força política, capacidade de articulação e influência pesam nessas horas.

“Nosso pessoal esteve na sede da Conmebol, foi falar com o secretário-geral porque o Leoz sumiu, desapareceu; e por falta de argumentos, ele, num cinismo absurdo, desonesto, disse: ‘resoluciones superiores’. E nos ameaçou, dizendo que se o Atlético não fosse jogar no Beira-Rio seria suspenso, rebaixado e perderia o registro de todos seus atletas”, relata Mário Celso Petraglia

Os atleticanos seguirão reclamando da polêmica de 13 anos atrás, como os cruzeirenses atravessarão os próximos reclamando da expulsão de Dedé, quarta-feira, em Buenos Aires, com a utilização do vídeo pela arbitragem. A vitória do Boca Juniors por 2 a 0 foi justa, mas o bizarro cartão vermelho mostrado ao zagueiro do Cruzeiro causou revolta geral.

A atitude de Eber Aquino faz o torcedor pensar nos bastidores. Nesta Libertadores os dois maiores argentinos, River Plate e o próprio Boca, tiveram jogadores irregulares em campo. Mas não foram punidos. Motivo? O regulamento determina que os adversários das equipes que cometem o erro na escalação devem reclamar em 24 horas. E isso não ocorreu nos casos dos dois rivais portenhos.

O único a se beneficiar de uma falha do gênero foi o Independiente, depois que o Santos escalou Carlos Sánchez. Hugo Moyano, presidente do “Rojo”, tem como genro Claudio “Chiqui” Tapia, que preside a Associação de Futebol Argentino (AFA). Já Daniel Angelici, mandatário do Boca Juniors é muito ligado a Maurício Macri, que presidiu o clube, foi prefeito de Buenos Aires e é o presidente da República.

Moyano e Angelici comandam a AFA junto com “Chiqui” Tapia, visto como um mero testa de ferro. Além de terem histórias de conquistas (são os dois maiores vencedores da Libertadores), os dois times sempre foram fortes nos bastidores. E isso não é segredo algum. Afinal, o poderio de clubes como Independiente e Boca nos bastidores, sua força política, pode afetar os árbitros em campo?

“Pode sim. Um árbitro com dois jogos na Libertadores em 2017 e cinco na de 2018… É pouca experiência para o tamanho do jogo”, diz o analista de arbitragem dos canais ESPN e ex-árbitro Sálvio Spínola Fagundes Filho, se referindo ao paraguaio que esteve em ação no polêmico cotejo da Bombonera.

Já Sandro Meira Ricci, que esteve nas duas últimas Copas do Mundo e se aposentou recentemente, acha que a política não contamina as decisões de quem apita: “Foi uma decisão completamente equivocada por falta de controle emocional e erro de julgamento, em razão do sangramento (do goleiro Andrada)”, resume, ao analisar a atuação de Aquino.

Sentir-se pressionado ou ter o trabalho afetado pela força de uma camisa nos bastidores não significa desonestidade do árbitro, tampouco que tenha recebido alguma recomendação para favorecer A ou B. Quando um clube tem força nos bastidores, errar contra pode significar geladeira, punições, perda de espaço, nome fora da escala. Normal o apitador temer, tremer.

Como normalíssimo é o time mais cascudo levar a melhor numa situação de dúvida. Jogos da Liga dos Campeões da Europa confirmam a tese, como Barcelona 6 x 1 Paris Saint Germain, em 2017, e Real Madrid 1 x 3 Juventus, neste ano. Em ambos os gigantes espanhóis levaram a melhor em decisões mais do que polêmicas dos árbitros. Eles pesam…

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CORITIBA

Argel Fucks estreou no comando do Coritiba cm empate.

Argel Fucks estreou no comando do Coritiba cm empate. (Foto: Gazeta do Povo)

Com a missão de evitar o rebaixamento, Roberto Fernandes estreava no CRB, assim como Argel Fucks à frente do Coritiba, desesperado por pontos para manter vivo o sonho da volta à Série A. O empate em 1 a 1 representou a terceira partida do Coxa sem vitória e um ponto em nove possíveis.

Os que foram deixados pelo caminho nas últimas aparições são os que faltam para se infiltrar no grupo dos que estarão na primeira divisão em 2019. E a distância para a quarta posição subiu de sete para oito pontos ao final da 28ª rodada da segunda divisão nacional.

O novo treinador destacou o “espírito de sofrimento” de sua equipe, acrescentando que “na Série B precisa saber sofrer”. Alguém avise a Argel que o Coritiba precisa saber é vencer. Afinal sofrimento não tem faltado. E foi assim na sexta-feira em Maceió, com 26 finalizações do CRB.

Uma equipe que permite a um dos piores times do campeonato arrematar tantas vezes, indubitavelmente sofre. E como! Quanto às vitórias, foram apenas duas nos 11 últimos (sofridos) compromissos.

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CLÁSSICO

Atlético-PR não deu chances ao Paraná no clássico.

Atlético-PR não deu chances ao Paraná no clássico. (Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo)

Sete vitórias consecutivas em casa pelo Brasileiro, oito se contarmos a Copa Sul-americana. O Atlético voltou a fazer da Arena um território hostil para seus adversários. Nos fáceis 3 a 0 sobre o Paraná, abriu seis pontos de diferença para a zona de rebaixamento, que, se ainda assusta, é pouco. Ao todo, 28 dos 33 somados pelo Furacão foram colecionados em seu estádio. Fora dele os atleticanos estão em 17º, campanha de rebaixado. Os jogos em casa sustentam a trajetória rubro-negra na reação pós-Copa do Mundo.

Os paranistas, por sua vez, estão enfurnados na última colocação, a 12 pontos do 16º posto, que significaria uma salvação que não virá. Virtualmente rebaixado, o tricolor ameaça ser pior do que o Náutico de 2013, degolado com 20 pontos em 114 possíveis, ou seja, míseros 17,5% de aproveitamento. Hoje o Paraná tem 20%, acumula nove derrotas e três empates desde que obteve a última de suas três vitórias em 26 rodadas. O time não vence há mais de dois meses e não fez um gol sequer nos três últimos compromissos.

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