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Mauro Cezar Pereira

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A ressurreição dos velhos treinadores

A ressurreição dos velhos treinadores
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  • PorMauro Cezar Pereira
  • 29/07/2018 09:00

O pós-Copa com mais uma eliminação ante seleção europeia tem a volta ao mercado nacional do técnico que protagonizou a maior humilhação da história, o 7 a 1. Em 2017 o Coritiba foi buscar treinador em baixa, mas que conduzira o clube a conquistas no passado recente, e acabou rebaixado

Luiz Felipe Scolari parecia aposentado quando deixou o gramado do estádio Mané Garrincha em 12 de julho de 2014. Ali, em Brasília, a seleção brasileira acabara de ser derrotada pela Holanda por 3 a 0. Era a disputa pelo terceiro lugar na Copa do Mundo, que ficou com os laranjas, cotejo realizado quatro dias depois da maior vergonha já imposta a um grande time em toda a história do futebol: Alemanha 7 x 1 Brasil, em Belo Horizonte. O maior campeão da história entrou em campo sonhando com o sexto título e saiu humilhado, em sua própria casa, numa derrota sem precedentes no futebol em todos os tempos.

Mas Felipão, o arquiteto do fracasso maior, rapidamente se encaixou no Grêmio, seu antigo clube, onde iniciou uma trajetória vitoriosa, e que lhe abriu as portas e os braços. Não durou um ano, saiu com a equipe jogando mal, derrotada pelo Internacional na decisão do Campeonato Gaúcho, e ainda houve o jogo com o Veranópolis, quando abandonou o banco de reservas e foi para o vestiário antes do apito final, largando o jovem time em campo sob as vaias da torcida. Desde então, Scolari se exilou na China, com sucesso no incipiente futebol de maior população do planeta Terra, algo pouco relevante, obviamente.

Inacreditavelmente, exatos 20 dias depois da eliminação do Brasil na Copa da Rússia, o mais caro elenco do país — avaliado em € 74,35 milhões segundo o site Transfermarkt — passa a ser comandado por ele. Desiludida com o futebol fraco e resultados ruins sob a batuta do jovem e (pelo menos até outro dia) promissor Roger Machado, a diretoria do Palmeiras ressuscitou o treinador Felipão para o cenário doméstico. Uma óbvia busca pelo escudo, por um técnico “de grife”, que em tese será capaz de se impor ante um grupo de jogadores aparentemente acomodados. Sua obsolescência técnico-tática não parece importar.

Apostas assim são perigosas, com chances de fracasso muito maiores do que as possibilidades de sucesso. No ano passado, guardadas as devidas proporções, o Coritiba fez algo parecido quando foi buscar de volta Marcelo Oliveira, que conquistara o Campeonato Paranaense em 2011 e 2012. Anos nos quais o time fez duas finais de Copa do Brasil, perdendo a última justamente para o Palmeiras de Felipão, clube que o demitiu em 2016. No mesmo ano, o Atlético Mineiro o mandou embora entre os dois jogos finais da mesma competição, após a derrota em Belo Horizonte para o Grêmio, que levantaria o troféu.

Em 3 de dezembro de 2017, ao perder para a Chapecoense por 2 a 1, o Coritiba fechou sua participação no Campeonato Brasileiro. Marcelo Oliveira fez 22 jogos e acumulou 24 pontos, um aproveitamento de apenas 36%. Desempenho abaixo do apresentado pelo seu antecessor, Pachequinho, que saiu na 15ª rodada após coletar 42% dos pontos disputados. O Coxa estava em 13º, em situação relativamente confortável com relação à ameaçadora zona de rebaixamento. Após a volta do técnico vitorioso de um passado recente, o Coritiba foi rebaixado. Ressuscitar velhos técnicos pode significar a morte. Ou quase.

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Nos 12 jogos sob o comando de Fernando Diniz pelo Campeonato Brasileiro, o Atlético trocou 6.616 passes. Média de 551,3 por peleja, 93,3% deles certos, ou seja, 6.175 foram completados. Números que colocaram a equipe na liderança no ranking de tal fundamento. Para que se tenha uma ideia, o lanterna no quesito quando da parada da Copa do Mundo era a Chapecoense, com 304 por jogo.

O Furacão finalizou nessa dúzia de compromissos 98 vezes, 12,3 de média, ficando atrás apenas do Atlético Mineiro. Mas o aproveitamento era ruim, o quinto pior, com 14,2 arremates por cada gol assinalado. Na primeira partida com Tiago Nunes, (1 a 1 com o Cruzeiro, fora, pela Copa do Brasil), 439 certos, 94% de aproveitamento.

Quarta-feira da semana passada, na volta à Série A, queda drástica: 373 no 2 a 2 com o Internacional, em Curitiba. Depois de muito tempo o Atlético não teve mais posse de bola do que o adversário, foram 48%. Algo que não ocorria desde o 2 a 0 sobre o Santos na oitava rodada, última vitória da equipe, quando registrou 45%.

De volta ao Mineirão no domingo para encarar os cruzeirenses, deste vez pelo Brasileirão, 2 x 1 para os mineiros no placar e 307 passes certos. O time fez 10 gols em 12 jogos com Diniz, agora tem três em duas partidas do campeonato com Tiago. A mudança de comportamento é acelerada, com transição mais rápida.

Nos 2 a 0 sobre o Peñarol, quinta-feira, pela Copa Sul-americana, o time teve 55% de posse de bola, mas não foi além dos 380 passes certos na Arena, onde três dias depois time trocou na 335 diante do Vitória. A mudança de comportamento era necessária depois que as estratégia de Diniz fracassou.

Faltava vencer. Não falta mais. Mas é preciso ganhar outras vezes para deixar a zona de rebaixamento.

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