A partir de Tóquio 2020, os Jogos Olímpicos passaram a contar com uma prova mais rápida que os 100m rasos do atletismo. Em praticamente metade do tempo que o italiano Lamont Marcell Jacobs levou para conquistar o ouro da prova mais esperada dos Jogos, os atletas de escalada concluíram a prova de velocidade. E isso pode ter deixado uma primeira impressão ruim sobre esse novo esporte, que estreou no programa olímpico nesta edição. Numa prova de 5s, dá para realmente comparar se um atleta é melhor que o outro, se não foi mero acaso ou detalhe a diferença de tempo de milésimos de segundos entre eles?

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Mas a prova de velocidade é apenas uma das três que contam pontos para a disputa das medalhas na escalada. A escalada olímpica premia o atleta mais completo. Para isso, além da modalidade speed, em que eles têm que subir um paredão reto, de 15m, com uma rota de baixa dificuldade, há a prova de Boulder, onde os competidores encaram cinco rotas fixas, em com diferentes níveis de dificuldade, em uma parede de 4,5m, sem cordas de segurança; e a Lead, conhecida como escalada de dificuldade, em que vence quem alcançar o obstáculo mais alto, dentro de um limite de tempo de 6 minutos, em uma parede de 12m, com obstáculos de todos os níveis de dificuldade. Na final masculina, por exemplo, apenas um atleta conseguiu chegar ao topo. Na feminina, nenhuma.

Essa dinâmica, inédita nas provas de escalada e que desagradou alguns dos competidores, especialistas em determinadas provas, deixou a competição bastante atrativa para o público, com muita alternância nas posições dos atletas e na definição do pódio. A escalada estreou com méritos nos Jogos de Tóquio.

A escalada foi uma das novas modalidades dos Jogos e tem um objetivo bastante claro por parte do Comitê Olímpico Internacional: atrair o público jovem para o esporte olímpico. Objetivo atingido com êxito, também, na escolha de outros dois esportes: surfe e skate. Apesar das condições não tão favoráveis do mar e da praia feia em que a competição foi realizada, o surfe não decepcionou. As baterias emocionantes, um contra um desde as oitavas de final, entre os principais atletas do mundo, divertiram quem já conhecia alguma coisa da modalidade e, também, quem nunca havia assistido a uma etapa do circuito mundial (apesar de todos termos ficado na bronca com os juízes).

O skate foi o esporte que mais surpreendeu. O clima descontraído, atletas competindo com celular no bolso, ouvindo música nos fones de ouvido enquanto disputam medalhas, rindo dos próprios erros e comemorando os acertos dos adversários, num primeiro momento, contrastaram com a tensão e concentração que se vê nos esportes olímpicos. Mas, até pela ausência de público em Tóquio, a festa que os próprios atletas do skate fizeram na pista foi um show a parte e transformaram a modalidade na mais divertida dos jogos, redefinindo o significado de espírito olímpico. As medalhas para atletas de 13 anos de idade também deixam claro o tiro certo do COI no público alvo.

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Outros esportes entraram no programa para agradar o público japonês , que acabou, no entanto, não podendo acompanhar as competições das arenas: caso do caratê, mais um esporte de combate, com uma dinâmica muito parecida com a do tae-kwon-do e que passou discreto, mas fazendo seu bom papel em Tóquio (apesar da modalidade kata, uma apresentação solo, avaliada por nota); e do beisebol e softbol. Medalhas certas para o Japão desde antes do início das competições (foi ouro no softbol e está na final do beisebol), o esporte conseguiu reunir algumas das estrelas da Major League, o campeonato norte-americano, cuja final é autointitulada “World Series”, mas também escancarou para o mundo uma necessidade de evolução. Tradição difícil de ser modificada, o softbol é considerado a versão feminina do beisebol: regras quase idênticas, mas com bola mais leve, campo menor e distância bem menor entre a arremessadora e a rebatedora. Mas as atletas evoluíram muito (ao contrário do esporte) e, com mais técnica e força nos arremessos, uma rebatida tornou-se coisa rara em um jogo com sete innings, a ponto de alguns jogos terminarem sem que adversárias de japonesas e americanas tenham acertado uma única rebatida válida. Primeira competição a estrear neste ano, antes mesmo da abertura dos Jogos, o softbol acabou sendo o ‘esporte de adaptação’ ao horário das Olimpíadas. E deu bastante sono.

Outra modalidade estreante nos jogos, também de olho no público jovem, foi o Basquete 3 x 3. Quem teve essa ideia? Baseado no “basquetinho” que se joga nas ruas e praças das cidades mundo afora, a modalidade não colou, nem mesmo entre os amantes de basquete. A expectativa de que o 3 x 3 tornar-se para o basquete o que o vôlei de praia é para o vôlei passou longe, muito longe. A ausência de público também colaborou para que a modalidade fosse a mais sem graça dos jogos. Quem sabe, em Paris 2024 os organizadores coloquem o Basquete 3 x 3 para ser disputado junto do breaking (modalidade que estreará nas próximas Olimpíadas), criando espaço da cultura urbana dentro dos jogos. Pela experiência de Tóquio, Basquete 3 x 3 não dá.

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