A Olimpíada vai se aproximando do fim, os esportes coletivos vão chegando a suas fases decisivas e as competições ficam ainda mais imperdíveis. A terça-feira de Tóquio (da noite de segunda à manhã de terça, para nós) foi, até agora, a mais empolgante para os torcedores brasileiros. Das 21h às 12h, sem intervalo, tivemos emoção, em quase uma dezena de modalidades. Entre surpresas e frustrações o dia também foi o melhor da delegação brasileira até agora em termos de medalhas.

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Mas os primeiros sinais não foram nada bons: Ana Patrícia e Rebeca foram derrotadas pela dupla da Suíça e eliminadas nas quartas de final do vôlei de praia. Como Agatha e Duda já haviam caído, o Brasil ficou sem representantes na semifinal da modalidade, uma das medalhas que todos contávamos como certas para o quadro de medalhas do país. Após o jogo, ficamos sabendo que Ana Patrícia passou mal, quase desistiu da partida, mas decidiu jogar, bem abaixo do que vinha apresentando no torneio. Rebeca foi gigante, carregou a dupla, que conseguiu levar o jogo para o tiebreak, mas falou força no momento da decisão.

Logo depois, mais notícia não muito boa: Isaquias Queiroz e Jacky Godmann terminaram em quarto a final da canoagem C2 1000m, numa prova sensacional, em que o recorde olímpico foi batido três vezes. Na primeira semifinal, a dupla chinesa quebrou a marca, que logo foi superada pela dupla inglesa, na segunda bateria de semifinais. Mas, na grande final, os cubanos surpreenderam e em uma arrancada final, conquistaram o ouro e o recorde olímpico. Mas as águas japonesas ainda reservavam ótimas notícias para o Brasil.

Antes disso, uma passadinha pelo canal do atletismo (aliás, já precisei trocar as pilhas do controle remoto), para esperar a corrida dos 400m com barreiras, com Alisson dos Santos na pista. E ainda deu tempo de assistir á final emocionante do salto em distância feminino, quando a alemã Malaika Mihambo conseguiu cravar 7m no último salto, ultrapassando a americana Britney Reese e a nigeriana Esse Brume, que tinham 6,97m.

Aí veio a prova de Alisson e, mais uma vez, os atletas mostraram que estão em Tóquio em busca de façanhas, fazendo as melhores marcas de suas vidas. Alisson correu, pela primeira vez na carreira, abaixo dos 47 segundo, cravando 46s72 e faturou o bronze. A primeira medalha do atletismo brasileiro em Tóquio não poderia ter ficado em melhores mãos. O Piu, como é conhecido, é o carisma e a humildade em pessoa e deixou isso claro na leveza com que encarou a final olímpica e na descontração após o resultado “O pódio é hoje, não sabia, vou até tomar banho”, declarou na entrevista após a conquista. E Piu ainda foi uma testemunha privilegiada da história. Assistiu, bem de perto, a marca dos 46s ser baixada pela primeira vez na história dos 400m com barreiras. O norueguês Karsten Warholm, com novo recorde mundial (45s94).

Logo depois, foi a hora de todo o brasileiro virar especialista em vela (eu nem sabia que não era mais iatismo). Ainda bem que a tecnologia da transmissão ,agora, conta com GPS que identifica a posição dos barcos, a distância entre eles e suas velocidades. Assim, todos pudemos acompanhar, com razoável compreensão, a regata cirúrgica de Martine Grael e Kahena Kunze, que marcaram os barcos da Holanda e da Alemanha, com quem disputavam as medalhas, e não se importaram com Argentina e Noruega, as duas primeiras duplas da regata final, mas que já não tinham chances de medalha. Seguras, tranquilas, sem sustos, elas terminaram a regata da medalha em terceiro, na frente das rivais, e conquistaram o bicampeonato olímpico, o terceiro ouro do Brasil em Tóquio, o oitavo da vela brasileira na história dos Jogos.

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No vôlei de quadra masculino, logo depois, o Brasil passou com certa tranquilidade pelo Japão, fazendo um jogo seguro e de muita paciência para superar a defesa nipônica e confirmar a vaga na semifinal com um 3 a 0, sem sustos. Agora, que venham os russos, algozes da primeira fase.

No boxe, a definição da cor de uma medalha: o bronze de Abner Teixeira, ao perder a semifinal dos pesos pesados para o cubano Julio La Cruz, e a garantia de mais uma, com a classificação de Bia Ferreira para as semifinais, ao derrotar Raykhona Kodirova, do Uzbequistão.

O dia amanheceu com a agonia do futebol e o gol que não saía, e não saiu, diante do México. Ainda bem que temos Santos, tão conhecido dos paranaenses, que brilhou na disputa de pênaltis e ajudou o Brasil a chegar à final, que será no sábado, contra a Espanha. Mais uma medalha garantida para nossa delegação.

Mesmo com o futebol rolando, deu tempo de dar uma trocadinha de canal para acompanhar mais um momento marcante nestes Jogos: a final da trave de equilíbrio da ginástica artística. Pudemos ver Flávia Saraiva, vinda de lesão, conseguir fazer sua apresentação e fechar a competição em sétimo lugar, mas também, assistimos ao retorno de Simone Biles, e tudo o que ela representa, às competições. Bronze para a melhor ginasta do mundo.

A manhã foi de ótimas notícias no atletismo. Vencedor da medalha de ouro mais surpreendente no Rio de Janeiro, em 2016, Thiago Braz voltou a surpreender. O brasileiro teve um ciclo olímpico bastante modesto, depois da maior conquista de sua carreira, e não chegou a Tóquio entre os favoritos no salto com vara. Como surpreender já é rotina para Braz, ele faturou a medalha de bronze. Ainda no atletismo, Darlan Romani, que teve Covid-19 e uma hérnia na reta final de preparação para os Jogos, garantiu vaga na final do arremesso de peso.

A TV já estava no “mute” para eu conseguir me concentrar no trabalho, quando o whatsapp apita com mensagem dos colegas: “alerta de tiebreak” entre Polônia e França no vôlei. Parei para assistir à façanha da seleção francesa, eliminando os grandes favoritos ao ouro nas quartas de final.

A terça-feira acabou com (em Tóquio, aqui ainda vai longe), com quatro medalhas no peito dos brasileiros e mais duas garantidas por conta das classificações às finais. Ao se celebrar seis medalhas no mesmo dia, quase dá para se sentir como um chinês.

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