O retorno ao Paraná, a estreia em uma disputa de cinturão no boxe profissional e a possibilidade de abrir um novo capítulo na carreira. Aos 35 anos, John Lineker vive um momento especial. Natural de Paranaguá, no Litoral do Paraná, o ex-lutador do UFC e ex-campeão mundial do ONE Championship será uma das principais atrações da Liga Monstro Curitiba, que acontece neste sábado (6), na Live Curitiba, no bairro Novo Mundo.

No co-evento principal da noite, Lineker encara Rogério Garotão em uma disputa de cinturão que marca mais um desafio na trajetória do atleta conhecido mundialmente pelo apelido de “Mãos de Pedra”.

De Paranaguá para o mundo

Antes de se consolidar como um dos maiores nomes brasileiros das artes marciais mistas, Lineker precisou superar dificuldades para perseguir o sonho de viver do esporte. A caminhada iniciada em Paranaguá levou o lutador ao UFC, onde atuou entre 2012 e 2019, enfrentando alguns dos principais nomes da categoria dos galos e dos moscas.

Após deixar a organização americana, o paranaense escreveu outro capítulo marcante da carreira ao conquistar o cinturão do ONE Championship, uma das maiores organizações de lutas do planeta.

John Lineker participa de pesagem oficial do UFC. O lutador brasileiro aparece concentrado antes de um combate pela principal organização de MMA do mundo.
John Lineker durante sua passagem pelo UFC, organização na qual atuou entre 2012 e 2019. Foto: Reinaldo Reginato/Fotoarena/IconSport.

Agora, o foco está em uma modalidade que sempre esteve presente em sua trajetória.


“Sempre gostei de desafios. O boxe sempre fez parte da minha caminhada dentro do MMA, é uma das minhas maiores armas, e senti que era o momento certo de viver isso de forma 100% focada”, afirmou Lineker, em entrevista exclusiva ao UmDois Esportes.


O desafio de trocar o MMA pelo boxe

Conhecido pelo poder de nocaute e pela agressividade dentro do octógono, Lineker admite que a adaptação ao boxe exige mudanças importantes na preparação.

“A principal diferença é o foco total nas mãos, na movimentação e no ritmo do boxe. No MMA você precisa se preocupar com chute, queda, joelho, grappling. No boxe é muito mais detalhe, precisão e volume”, explicou.

Segundo o lutador, o processo de aprendizado tem sido um combustível extra para manter a motivação em alta.

“Tenho treinado muito técnica, defesa, deslocamento e resistência específica para manter intensidade o tempo inteiro. É um esporte diferente, mas estou gostando muito desse processo porque me desafia de outra maneira.”

Luta em Curitiba tem significado especial

Se a disputa pelo cinturão já seria importante por si só, o fato de acontecer em Curitiba torna tudo ainda mais simbólico para o atleta.


“Representa muito. Eu nunca esqueço de onde eu vim. Sou um cara de Paranaguá, comecei com muita dificuldade, correndo atrás dos meus sonhos, e hoje poder voltar ao Paraná para lutar diante do meu povo é algo especial demais”, destacou.


A expectativa é de contar com o apoio de familiares, amigos e fãs que acompanharam sua trajetória desde os primeiros passos no esporte.

“Quero sentir essa energia da torcida, representar minha cidade da melhor forma possível e inspirar muitos jovens que sonham em vencer através do esporte.”

Aposentadoria? Nem pensar

Apesar da longa trajetória no MMA e das conquistas internacionais, Lineker garante que ainda está longe de pensar em encerrar a carreira.

“Eu ainda me sinto muito motivado e competitivo. Enquanto eu estiver com essa vontade de lutar, vou continuar buscando grandes desafios.”

O paranaense admite que pretende explorar o boxe nos próximos anos, mas não fecha as portas para um eventual retorno ao MMA.

“O boxe é algo que quero explorar bastante agora, mas também não descarto voltar ao MMA no futuro. Meu objetivo é continuar fazendo grandes lutas, conquistar coisas importantes e mostrar que ainda tenho nível para competir entre os melhores do mundo.”

Com uma carreira marcada por superação, cinturões e grandes apresentações, John Lineker volta ao Paraná disposto a escrever mais um capítulo de sua história. E, como ele mesmo faz questão de avisar, o “Mãos de Pedra” ainda está longe de dar seus últimos golpes.

Siga o UmDois Esportes