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Cristian Toledo

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Opinião

Paraná Clube rebaixado pra Terceirona: e os cartolas irresponsáveis?

Paraná Clube
Renan Bressan não esteve em campo nesta terça-feira, mas essa imagem do camisa 10 simboliza o rebaixamento do Paraná Clube.| Foto: Albari Rosa/Foto Digital
  • PorCristian Toledo
  • 26/01/2021 21:31

Antecipei o retorno das férias em algumas horas para tratar de um assunto que, confesso, nunca imaginei que aconteceria - o rebaixamento do Paraná Clube para a Série C do Campeonato Brasileiro. Por mais que soubéssemos da crise sem fim do Tricolor, cair para a terceira divisão parecia algo fora do parâmetro. Mas aconteceu, graças a série de administrações irresponsáveis do clube.

Os erros de quem mandou no Paraná - excluo o presidente interino Sérgio Moletta dessa lista, pois entrou na fria - remontam ainda à "era de ouro" tricolor, quando a gestão financeira foi atingida, o clube social foi perdendo associados e uma proposta de entrada no Clube dos 13 foi negada. Mas isso se acelera nos anos 2000, para desaguar no trágico desfecho confirmado pela derrota por 1x0 para o Oeste, nesta terça-feira (26), em Barueri.

Nesse momento de extrema tristeza para a torcida paranista, é preciso sim apontar os erros que foram cometidos em série, alguns por ingenuidade, outros por burrice e até por má-fé. A forma como presidentes, vices, diretores de futebol e Conselho Deliberativo do Tricolor agiram nos últimos 20 anos foi trágica - para não dizer outros termos que vieram à mente.

Paraná Clube destruído

O que foi feito, sem meias palavras, foi a destruição de um clube. O que sobrou do "time do ano 2000"? Nem mesmo o apelido vingou. A estrutura não existe mais. As sedes foram, uma a uma, sendo vendidas, leiloadas ou arrendadas. A lista de ações judiciais é longa. Trabalhistas? Nem dá pra saber direito. O caso de Thiago Neves, que voltou às manchetes nos últimos dias, é singular na forma como o Tricolor foi comandado.

E as gestões foram se superando na incompetência, na falta de interesse pelo clube e no desconhecimento do futebol como esporte e como negócio. Mesmo com a história, os títulos e a marca já conhecida no cenário nacional, tanta falta de capacidade um dia iria cobrar a conta. Mas, repito, não imaginei que chegaria a esse ponto.

Aí não se pode esquecer de Leonardo Oliveira, presidente até a semana passada, que mostrou sua covardia ao não estar no comando do Paraná Clube quando do rebaixamento. A falta de coragem do cartola, que se apoiava em poucos conselheiros, em torcedores organizados e em jornalistas benevolentes, é o ápice da desgraça administrativa que tomou conta do Tricolor.

Os erros da Série B

Nesta temporada 2020/21, o Paraná Clube se inebriou pelo acesso e não percebeu que a luta era para não cair. A demissão de Allan Aal, que teve amplo suporte da torcida, não fazia o menor sentido, o que ficou evidente com o treinador subindo para a Série A com o Cuiabá. Dentro do clube, nas poucas pessoas que cuidavam do departamento de futebol, achou-se que o time era muito melhor do que realmente era.

Paraná Clube
Allan Aal foi demitido quando o Paraná Clube era o sexto colocado na Série B. Decisão dos 'especialistas' da diretoria.| Albari Rosa / Foto Digital

E muita gente alertou sobre a má qualidade do time. Sem contar que o elenco foi reformulado quatro vezes desde o Campeonato Paranaense. Nesta Série B, quando o Tricolor percebeu o tamanho do buraco, era tarde demais. E o clube acabou caindo para a Terceirona - não nesta terça-feira, mas numa trajetória escrita há tempos. E que entristece os torcedores e enfraquece o futebol paranaense. Os cartolas? Fizeram todas as trapalhadas, saíram do clube e devem estar de boa.

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