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Cristian Toledo

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Análise

Afastamento de Samir Namur faz eleição virar guerra no Coritiba

Samir Namur, Coritiba
Samir Namur deixa o Coritiba a duas semanas da eleição, mas quer voltar.| Foto: Albari Rosa / Foto Digital
  • PorCristian Toledo
  • 14/12/2020 21:13

Tinha acabado de terminar o texto sobre a negativa de Mozart para treinar o Coritiba (parte dele está abaixo) quando surge a notícia de que Samir Namur pedirá licença da presidência nesta terça-feira (15). Ele se afasta do cargo, na teoria, até a eleição, marcada (pelo menos por enquanto) para o dia 29 de dezembro. E esse movimento do cartola deve aumentar a tensão na disputa para a presidência alviverde.

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Em mensagem enviada por WhatsApp, Namur fez acusações sobre o processo eleitoral, que foi definida em sistema online. "Será só o começo de uma confusão bem grande. Desde a escolha da empresa, a segurança e, principalmente, todas as ilegalidades estatutárias", afirmou. Em conversa com a Nadja Mauad, do Globo Esporte, e também com a equipe do UmDois, ele garantiu que evitará conflitos éticos que seriam alegados caso permanecesse no cargo.

Mas isso também libera o atual presidente para atacar os adversários. A medida do que acontecerá já foi sentida no final da semana passada, com um vídeo de críticas a João Carlos Vialle e Renato Follador. A forma como as chapas discutiram o processo de votação mostrou também que ninguém confia em ninguém - mais que isso, o ódio tomou conta da eleição do Coritiba. Não é possível prever o que virá nos próximos 15 dias. Estejamos preparados para tudo.

Por que Mozart disse duas vezes "não" para o Coritiba?

O que parecia uma solução quase perfeita virou pesadelo para o Coritiba. Tudo em menos de oito horas. No final da manhã desta segunda-feira (14), Mozart recebeu uma proposta do diretor de futebol do clube, Paulo Pelaipe. Por volta das 20h, ele avisou ao Coxa que estava recusando a oferta para permanecer no CSA. Em pouco mais de 45 dias, é a segunda vez que o ex-jogador alviverde recusou comandar o time onde foi auxiliar técnico até recentemente. E os motivos desses dois "não" explicam a crise coxa.

Mozart, Coritiba
Mozart ainda quer treinar o Coritiba. Mas sentiu que não teria respaldo se viesse agora.| Divulgação/CSA

Mozart não aceitou as duas propostas - uma 'normal', outra de padrões altíssimos para um técnico em início de carreira - por causa de dinheiro. Também não recusou por que tem mágoas do Coritiba. Muito menos por conta da situação delicadíssima que o time passa no Campeonato Brasileiro. É mais do que isso, mais que razões de momento. É porque hoje o Coxa não é um clube em que se pode garantir o futuro.

Afinal, como aceitar hoje a proposta sem ter a certeza de que vai continuar em breve? Sim, Mozart recebeu uma oferta de contrato até o final da temporada 2021, mas ele teria a certeza que não se mudaria depois de uma eleição? No período entre o convite até a negativa, o Coritiba não sabia nem quando seria o pleito. Sem contar que Samir Namur era o presidente e nesta terça vai se licenciar.

Falta de segurança

Portanto, Mozart e os outros técnicos já sondados pelo Coxa nos últimos tempos (Tiago Nunes, Roger Machado, Zé Ricardo, Felipe Conceição, Vanderlei Luxemburgo...) não tinham como saber o dia de amanhã. Rodrigo Santana, demitido no domingo (13), aceitou porque estava totalmente fora do mercado. Para ele, ser lembrado já era lucro. A demissão, mesmo com um trabalho ruim, acaba também caindo na conta da desorganização alviverde.

As cifras milionárias oferecidas para que Mozart saísse do CSA e voltasse ao Coritiba não o seduziram por completo. Até pelo caráter do treinador, se ele viesse, não seria tanto pelo salário e pela premiação, mas pela vontade que tem de comandar o Coxa. Só que poderia ser um passo perigoso na carreira dele. Por incrível que pareça, o clube alagoano é mais estável (e olha que teve crise forte esse ano por lá) e ainda luta pelo acesso na Série B.

Cabe então aos dirigentes e aos que pretendem ser dirigentes do Coritiba como o time, mesmo na Série A, não consegue tirar técnicos do CSA ou do Guarani. Compreender isso é começar a encontrar respostas para a grave crise em que o Coxa se enfiou. Novo técnico? O mais certo é só depois da eleição. Até lá, que Pachequinho tenha o suporte para evitar que a baixaria eleitoral afete ainda mais um time que patina para escapar do rebaixamento.

Coritiba, Pachequinho
Pachequinho vai mais uma vez ser interino, de novo no meio de uma crise daquelas.| Albari Rosa / Foto Digital
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