Quem se baseasse no retrospecto da dupla Atletiba nas campanhas do returno do campeonato, a Taça Caio Júnior, apontava o time aspirante do Atlético como favorito nas finais com o Coritiba.

Com a experiência de uma vida ligada ao futebol, preferi ficar na retranca. E teve quem me chamasse de idiota, senil e outros adjetivos poucos edificantes. Pobre deles que ainda não aprenderam a esperteza da malícia em futebol. Ou dos jogos em geral.

Ao avançar palpites sobre futebol saibam que existem os riscos da imprudência.

Uma partida é composta de vários fatores, que vão da motivação, superação, condicionamento técnico e físico, variação psicológica, produtividade coletiva, inspiração individual, enfim, um vasto leque de imponderabilidades. Não fosse tudo isso e o jogo de futebol teria caído no esquecimento das multidões há muito tempo.

O jogo é mágico. É lúdico por excelência. Avançar sobre o futuro dos times e dos jogadores, projetando desempenhos, é arriscado.

Um dos mistérios do esporte – e do seu fascínio – é a sombra da imprevisibilidade que acompanha os participantes. O perna de pau não consegue dormir na véspera do clássico. O craque sonha com o lance iluminado.

Certamente que o fio da lógica amarra o trabalho de preparação dos profissionais competentes. Mas, quantas vezes desafiam a racionalidade com resultados contraditórios.

Tiago Nunes vinha fazendo tudo certinho com a equipe aspirante do Atlético. Estava dando resultado, até as partidas decisivas. Caiu diante do frágil Rio Branco nos pênaltis e não foi competente diante do esforçado Coritiba no primeiro duelo para valer na busca do título.

Sandro Forner sofreu todo tipo de provações com o péssimo desempenho do time em formação no curso do returno. Sem esquecer da sofrida eliminação na Copa do Brasil. Mas o futebol desafia a racionalidade com resultados contraditórios.

Uma fase ruim pode ser interrompida pelo estouro do time que descobre o equilíbrio do conjunto.

Foi assim na primeira parte das finais e a vitória do Coxa deu vida à final do campeonato.

No reverso da medalha, os atleticanos em marcha batida vão querer dar o troco no próximo domingo (8) na Arena da Baixada. Se conseguirão ou não, são outros quinhentos. Será mais pressão sobre os apaixonados torcedores e mais cautela sobre os observadores experientes.

Lições de sabedoria e prudência são recomendáveis desde tempos imemoriais.

Ainda mais em um país relativamente jovem, em permanente estado de ebulição, no qual a inteligência coletiva, a política, a economia e o cotidiano vivem em estado de tensão comparável a um jogo importante de futebol. Há, inclusive, quem aponte as próximas eleições presidenciais com clima de Atletiba. Ou de Fla-Flu, como se refere a proteiforme mídia nacional.

O gol solitário de Júlio Rusch fez a festa no Alto da Glória. Foi diante de menos de 10 mil pagantes – mesmo sem a exibição do clássico pela televisão – comprovando, de forma pronta e acabada, a falência dos campeonatos estaduais.

Mas, pela tradição oral e emocional, os torcedores passarão a semana de mais uma decisão entre os velhos rivais com os corações apertados. De batimentos descompassados.

O que restou de emoção ficou para o desfecho na Arena da Baixada. Um pouco de ilusão não faz mal a ninguém.

 

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