A sofrida classificação da seleção brasileira para a sequência da Copa América abriu espaço para diversas abordagens, análises e conceitos em torno do time que carrega na camisa o peso das estrelas dos cinco títulos mundiais.

Até agora nenhum outro time de futebol conseguiu tal façanha. O futebol brasileiro é amado e respeitado, tanto pelos seus craques como pelos seus triunfos.

TABELA DA COPA AMÉRICA 2019: Resultados e jogos

E, pensando bem, poderíamos ostentar na famosa camisa amarelinha mais algumas estrelas. Afinal, ainda sentimos na boca aquele gosto amargo da derrota inesperada nas copas de 1950, 1982 e 1998.

Por descuido, má sorte ou simples soberba, a seleção deixou escapar títulos que estavam desenhados para ela no curso da competição.

Na Roma antiga, para combater a soberba e essa ilusão onipotente, diz a história que os guerreiros, quando voltavam de uma batalha vitoriosa, eram saudados com tal entusiasmo popular que um sacerdote era escalado para acompanhá-los nas bigas e ficar repetindo: “Lembra-te de que és mortal ! Lembra-te de que és mortal !”.

Ao recordar esse ritual, observando os fracassos monumentais da seleção brasileira nos últimos anos, talvez fosse o caso de iniciarmos campanha nacional de uma advertência prudente aos dirigentes, técnicos e jogadores que servem o futebol do país: o poder do dinheiro e o sucesso inebriam de tal forma que não raro levam os homens a perder o senso, se julgar infalíveis, desafiar os deuses e o destino.

Com certeza, Neymar não chegou a tanto, mas suas atitudes e improvisos começam a causar incômodo, provocando profundo desgaste em sua imagem pública.

Mas deixemos Neymar de lado, afinal se tornou milionário jogando futebol, mas ainda está muito longe de conquistar a simpatia e o respeito da maioria dos torcedores mundiais. Talvez, em algum momento no futuro, ele consiga melhorar como pessoa e aprimorar-se como atleta de raro talento na busca da coroa de melhor jogador do mundo.

Por enquanto, vamos nos contentando com Alisson, Firmino, Coutinho, Everton, Gabriel Jesus e outras promessas.

A atual seleção pode evoluir, mas depende muito da capacidade do técnico Tite. A seleção procura sua identidade. Ou, por outra, sua nova identidade, pois não dispomos mais daquela variedade de superjogadores dos inesquecíveis tempos de Pelé, Garrincha, Didi, Tostão, Gérson, Rivellino, Ronaldo, Rivaldo, Romário, Ronaldinho e outros que encantaram os torcedores e desconcertaram os adversários.

A nova identidade do futebol brasileiro será conseguida pelo esforço coletivo.

A soma dos novos valores, independentemente da presença de Neymar que, bem ou mal, é o único craque fora de série no momento, mostrará a nova face da seleção.

E, para isso, temos de contar com a capacidade de reciclagem do treinador nacional. Tite tem a possibilidade de melhorar o rendimento da equipe que, de uma forma geral, jogou bem frente ao Paraguai.

Só não venceu no tempo normal pelas naturais dificuldades de enfrentar uma retranca bem montada, inúmeras chances de gol desperdiçadas, bola na trave, etc.

Como esses rapazes se tornaram muito ricos jogando no exterior precisam de boa orientação para manter os pés no chão. Não basta ser craque ou milionário, é preciso ser gente.

E, pelo que se percebe do esforço e da vontade de acertar nas partidas desta Copa América, eles tem consciência da responsabilidade e, sobretudo, sabem que são mortais.

MAIS DE CARNEIRO NETO!

Com o Brasileirão e Série B parados por causa da disputa da Copa América, é tempo de balanço para os três clubes da capital: Athletico, Coritiba e Paraná.

Ouça a avaliação de Carneiro Neto!

Athletico

"O Brasileirão do Athletico foi lamentável, participação pífia, com 37% de aproveitamento. Para quem tem um técnico com a competência do Tiago Nunes, está devendo muito".

Coritiba

"O Coritiba não foi bem. Investiu, tentou, não se pode tirar esse mérito da diretoria, apesar de inexperiente, mostrou vontade. Porém, na comissão técnica, o Pastana não tem sido feliz".

Paraná

"O Paraná terminou bem a sua primeira participação na Série B do Brasileirão depois de ter tido uma experiência rápida, tênue, na Série A. A queda foi muito dolorosa. Está tentando juntar os cacos".

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