Quem assistiu França 3x2 Bélgica, pela Liga das Nações, e logo depois viu Venezuela 1x 3 Brasil, pelas Eliminatórias Sul-Americanas da Copa do Mundo, percebeu todas as atuais diferenças entre o jogo praticado de cada lado do Atlântico.

Este foi um processo lento de esvaziamento do nosso futebol, vítima de dirigentes incompetentes, técnicos que recebem muito, mesmo apresentando trabalho sofrível nos times brasileiros e na própria seleção, profissionais que acreditam em poupar jogadores para melhorar o rendimento sem que haja comprovação científica e, sobretudo, a escassez de craques nas últimas gerações.

Ainda temos alguns bons jogadores, que estão no selecionado convocado por Tite, mas poucos fora de série como havia no passado, nos tempos gloriosos do pentacampeonato mundial.

Até Neymar, reconhecidamente um jogador tecnicamente acima da média, tem rendido pouco com a camisa canarinho.

É importante frisar que ele começou mal a temporada europeia pelo Paris Saint-Germain.

Não é por acaso que o Brasil completará 20 anos sem um título mundial no Catar, com participações pífias nas últimas quatro copas do mundo, e sem conseguir apresentar padrão de jogo à altura das suas tradições.

A seleção brasileira está invicta nas Eliminatórias, mas longe de empolgar.

O time nacional não possui entrosamento e muito menos os jogadores demonstram talento individual para a superação de eventuais equívocos táticos.

Parece um amontoado de estrelas sem orientação, como no primeiro tempo da partida em Caracas.

Pouco a pouco, o torcedor vai perdendo o interesse pela seleção e não se culpe apenas o treinador Tite pelo processo em andamento.

As últimas e intermináveis canalhices cometidas pelos cartolas da CBF refletem no sentimento da torcida.

Tite pode ter cometido erros em algumas convocações e na definição estratégica da maioria dos jogos, mas a explicação do mau futebol da seleção é outra: simplesmente não temos grandes jogadores.

Faz tempo que vivemos de um mito que pouco a pouco se desfez.

Vivemos da imagem dos feitos de craques passados e desaparecidos; vivemos do sonho de conquistas antigas e nos deparamos com a dura realidade do presente.

O acúmulo de males de que padece o futebol brasileiro, agravados nos últimos 20 anos, cobra agora o seu preço.

Clubes falidos, dirigentes despreparados, técnicos incompetentes tanto na base como nas equipes principais, gestores profissionais espertalhões – os tais CEO - que se envolvem com empresários, agentes e empreendedores no rico mercado internacional, um verdadeiro circo da televisão obrigando o espectador a descobrir - e pagar para ver - o jogo preferido e a publicidade transformando jogadores meia-boca em celebridades.

Junte-se a isso uma massa de jovens que não se interessa por futebol, pois precisa estudar e trabalhar para sobreviver, vivendo em grandes ajuntamentos urbanos em meio à terrível pandemia do coronavírus.

Positivamente Tite não é o único responsável pelo baixo nível técnico da seleção brasileira.

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