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Poucas alegrias e muitas dúvidas nos times paranaenses

Temporada ruim para os times de Curitiba. Interior vai bem com Londrina e Operário
Temporada ruim para os times de Curitiba. Interior vai bem com Londrina e Operário| Foto: Albari Rosa/Foto Digital/UmDois Esportes
  • PorCarneiro Neto
  • 22/01/2021 10:33

Dante Alighieri, o gigante da literatura medieval italiana, explicando o título de sua obra-prima, afirma que comédia é uma historia que começa mal e termina bem, enquanto tragédia é uma historia que principia bem e acaba mal.

Essa deve ser a dúvida que passa pela cabeça dos torcedores dos times paranaenses.

Aos nos aproximarmos do final deste tumultuado certame de 2020, observamos o Londrina comemorando a ascensão da Série C para a B, o Operário satisfeito em manter-se na B, o Paraná humilhando-se com a séria ameaça de rebaixamento para o grupo C, o Coritiba vivendo o drama de voltar mais uma vez para o lado B e o Athletico tentando se equilibrar para evitar um completo fracasso nesta arrastada temporada.

Dirigido pelo empresário de futebol Sergio Malucelli, o Londrina apresentou altos e baixos nos últimos anos. Mas, apesar dos solavancos, o time sobrevive com dignidade.

O Operário deve o sucesso alcançado, tanto com a conquista do título estadual - depois de cem anos de espera - do que o destaque no plano nacional, ao grupo liderado pelo gestor Álvaro Góes.

O Fantasma tem sido promovido pela mídia. Um belo trabalho, sem dúvida.

Paraná tem perspectivas sombrias

Com crônicas dificuldades financeiras, esvaziamento do quadro social, afastamento de dirigentes ilustres, o Paraná não conquista títulos há mais de dez anos, subiu e desceu para a Primeira Divisão brasileira e, agora, está na iminência de ser remetido a Terceira Divisão.

Resultou na renuncia do presidente Leonardo Oliveira e as perspectivas em Vila Capanema continuam sombrias.

Coritiba: um fracasso administrativo

De tantas divisões políticas através dos tempos, o Coritiba acabou dirigido nos últimos três anos por um grupo originário da sua principal torcida organizada.

Um fracasso administrativo.

Agora, com gestores tarimbados e com um planejamento consistente de recuperação, mesmo que caia de novo para a série B, o Coxa enxerga uma luz no fim do túnel.

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Athletico virou um time fantasma

O Athletico, de encantador nas temporadas de 2018 e 2019 – com as conquistas dos títulos estaduais, da Copa Sul-Americana, da Copa Intercontinental J.League/Conmebol no Japão e da Copa do Brasil – virou um time comum, beirando a mediocridade técnica.

Graves erros foram cometidos na reformulação do elenco, após a venda dos melhores jogadores, e na constituição da comissão-técnica com o abrupto afastamento do vitorioso Tiago Nunes.

Para agravar a situação o Furacão virou um time fantasma, ausente da televisão aos olhos dos seus apaixonados e fiéis torcedores, por capricho do presidente Mario Celso Petraglia.

Curiosa a sua longa passagem pelo clube.

Depois do que realizou esportivamente e engrandeceu o patrimônio, deveria ser cultuado como uma divindade entre os atleticanos.

Mas o que se percebe é uma relação de admiração e distanciamento.

Todos concordam com o conteúdo da sua admirável capacidade de realização, mas muitos discordam da forma de comunicação e relacionamento humano.

Com tudo isso, concluo que o futebol paranaense confunde o florentino Dante Alighieri, que deve pensar em outra forma literária para descrevê-lo: até aqui ele foi ao mesmo tempo comédia e tragédia.

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