Quando fui convidado pelo ex-presidente Darci Piana e pelo então presidente Ernani Buchmann para escrever um livro contando a história do Paraná Clube, os tempos eram outros. Corria o ano de 1996, o Tricolor estava na Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro e comemorava a conquista do tetracampeonato paranaense.

Boa época para os paranistas, sem dúvida alguma. Tendo o competente Luiz Eduardo Dib como diretor de futebol, acumulando a primeira vice-presidência, e o administrador Fernando Medeiros como segundo vice.

Na comissão técnica liderada pelo experiente Antônio Lopes estava o vitorioso preparador físico Luiz Carlos Neves e o time era tecnicamente muito forte, reunindo Regis, Marcão, Edinho Baiano, Tcheco, Ricardinho, Paulo Miranda, Saulo e outros mais.

O Paraná Clube representava a soma de vários movimentos através de décadas, envolvendo milhares de pessoas em diversos clubes que foram se unindo, na busca do voo seguro, do voo certo para a realização de muitos sonhos.

Foram quatro correntes que desaguaram no mesmo canal: Ferroviário, Palestra, Britânia e Água Verde. A síntese da fusão entre Colorado – herdeiro dos três primeiros – e Pinheiros – que sucedeu o Savoia e o Água Verde – foi a consagração de um ideal esportivo que se desenhava de maneira positiva em todos os aspectos.

Grande patrimônio, tradição, associados, dinheiro em caixa, time forte e muito competitivo e uma torcida apaixonada, que vibrava intensamente com as conquistas do novo clube. Neste clima, pesquisei, entrevistei centenas de pessoas que jogaram ou foram ligadas aos times que originaram a mais moderna equipe do futebol paranaense e escrevi o livro “O voo certo – a história do Paraná Clube”.

Os anos passaram, grandes conselheiros e dirigentes se afastaram por questões naturais da própria vida de cada um, os novos dirigentes não revelaram a mesma capacidade daquela primeira década dourada e, hoje em dia, a situação é caótica.

Em grave crise financeira, com elevada dívida contraída, êxodo de sócios, o time na humilhante Série C – Terceira Divisão – do Campeonato Brasileiro e sem títulos há mais de uma década, o panorama é sombrio.

Tanto na sede da avenida Kennedy quanto no estádio Durival Britto e Silva. Aí está o Paraná Clube e o voo certo perdido no tempo. A torcida sofre e ninguém consegue apresentar um projeto minimamente competente para retirar o Tricolor do atoleiro em que se encontra.

Tudo muito triste e profundamente lamentável.

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