Para quem acompanha o futebol há muito tempo – profissionalmente estou completando 58 anos ininterruptos – dá para perceber profundas transformações.

Dentro e, sobretudo, fora de campo.

Foi-se o tempo em que o repórter de rádio caminhava pelo gramado, antes e depois dos jogos, segurando o microfone em uma mão e carregando a maleta de transmissão na outra com mais de trinta metros de fio. Ou, quando a dúvida se a bola entrou ou não no gol, só era dirimida depois da revelação do filme do fotografo de jornal que ficava atrás da meta.

O rádio reinava absoluto nos programas diários e nas transmissões externas, enquanto os jornais esgotavam as suas tiragens nas edições de segunda feira.

Aos poucos, a tecnologia foi chegando, os fios arrastados pelos gramados foram aposentados, até os repórteres ficaram proibidos de invadi-los, reservando-se apenas para as entrevistas coletivas depois das partidas.

Chegou a televisão a cabo, a internet, o telefone celular, o jornal digital, enfim uma transformação generalizada.

O futebol e quase tudo mudou muito no século 21

Jamais o futebol interessou tanto às elites ou à classe média pensante como agora.

Antigamente ele atraia milhões de torcedores, porém nos últimos anos ele chama a atenção de todos pela globalização, pelos altos interesses comerciais envolvidos, pela absoluta exposição na mídia e em outras plataformas modernas, pelo grande negócio em que se transformou.

Antigamente o cronista esportivo era visto com reserva pelos intelectuais e acadêmicos.

Hoje tudo mudou, principalmente no futebol

A própria elite cultural debruçou-se sobre o mais popular esporte do planeta, dedicando-lhe livros, ensaios e artigos, de um ponto de vista refinado e inovador.

Agora chegou a vez da revolução conceitual na administração dos clubes.

Não há mais espaço para amadores, aventureiros, incompetentes ou simples aproveitadores. A gestão profissional veio para ficar.

O futebol deixou de ser um fenômeno localizado que interessava apenas a um grupo de torcedores, que se manifestava com desfiles nos dias dos jogos e incendiava as arquibancadas dos estádios.

Tudo mudou. O futebol tornou-se um grande “business” em escala global e sem caminho de volta.

Só os competentes sobreviverão a médio e curto prazo.

Mais da metade dos clubes profissionais brasileiros existentes desaparecerão em pouco tempo.

Assim como a crônica esportiva melhorou intelectualmente e teve que se atualizar, os dirigentes dos clubes terão que aprender rápido para não serem engolidos pela concorrência.

Participe da conversa!
0