É preciso ter mais do que 40 anos para ser, de fato, da geração do rádio.

Dos tempos em que a tevê ainda não transmitia todos os jogos e deixava o ouvinte por conta da própria imaginação.

Os locutores de rádio contavam o que se passava, levando tensão, alegria e emoção para o torcedor que dava trato a fantasia.

Com a chegada das transmissões televisivas, para valer mesmo a partir da metade da década de 1990, nunca mais se pôde imaginar o mundo apenas através das palavras.

Restou a memória auditiva e, consequentemente, o talento dos narradores, comentaristas e repórteres de rádio que enriqueceram a história e o folclore do futebol.

Os apelidos fazem parte dessa época romântica e vibrante do futebol. A maioria deles foi lançada através das transmissões radiofônicas e passou a integrar o próprio nome do jogador como epíteto imortal.

Pelé, como não poderia deixar de ser, foi o Rei dos craques e também dos apodos: Rei, claro, Craque Café, Camisa 10, Atleta do Século e por aí vai.

O primeiro craque a ser destacado foi Friedenreich, o Tigre. Depois, vieram Rivelino, Garoto do Parque e Reizinho do Parque; Gérson, Canhotinha de Ouro; Garrincha, Gênio das Pernas Tortas; Didi, Folha Seca; Djalma Santos, Lord; Bellini, Capitão; Nilton Santos, Enciclopédia do Futebol; Gilmar, Girafa; Castilho, Leiteria; Zagallo, Formiguinha; Servilio, o Filho do Bailarino; Ademir da Guia, Divino e Maestro da Academia; Ademar, Pantera; Paulo Borges, Sorriso do Parque; Luisinho, Pequeno Polegar; Baltazar, Cabecinha de Ouro; Zizinho, Mestre Ziza; Leônidas, Diamante Negro; Flávio, Minuano; Ivair, Príncipe; Toninho Guerreiro; Fio Maravilha; Samarone, Diabo Louro; Denílson, Príncipe Etíope; Fontana, Xerife; Jairzinho, Furacão da Copa; Tostão, Mineirinho de Ouro; Paulo Cesar, Caju e Nariz de Ferro; Tim, El Péon; Domingos da Guia, Divino Mestre; Danilo, o Fino do Futebol; Fausto, a Maravilha Negra; Ademir Menezes, Queixada e Homem-gol; Jair, Jajá da Barra Mansa; Amarildo, O Possesso; Airton, Pavilhão; Alcindo, Bugre; Sadi, Gigante dos Pampas; Pepe, Canhão da Vila; Juarez, Canhão do Olímpico; Julio Cesar, Entortador; Henrique Dourado, Ceifador; Ernani, Brocador; Jorginho, Carvoeiro; Roberto Dinamite; Zico, Galinho de Quintino; Renato, Gaúcho; Serginho Chulapa; Sócrates, Doutor; Falcão, Rei de Roma; Ronaldo, Fenômeno; Romário, Marrento e Baixinho; Sousa, Caveirão; Dario, Dadá Maravilha e muitos mais.

No futebol paranaense destacaram-se com apelidos consagrados Caju, a Majestade do Arco; Kruger, Flecha Loira; Charrão, a Muralha das Araucárias; Dirceu, Garoto dos Pinheirais; Celso, Cavanhaque; Laio, Fortaleza Voadora; Jackson, Doutor; Valdomiro, Galalau; Lanzoninho, Careca; Odilon, Careca; Ivan, Cachorro Louco; Ivo, Cavalo de Pau; Jairo, Pantera; Sicupira, Bicicleta; Nilson, Bocão; Nelsinho, Anão de Ébano; Hidalgo, Capitão Coxa; Aladim, Gênio; Zé Roberto, Gazela; Orlando, Amarelo; Nilo, Guran; Dreyer, Gringo; Nico, Italiano; Fedato, Estampilha Rubia; Détti, Centurião; Roberto Costa, Mão de Anjo; Flávio, Pantera; Saulo, Tigre da Vila; Ivair, Menino Veneno; Washington-Assis, Casal 20; Carvalho, Pássaro Marrom; Pedrão, o Anjo Negro; Sergio Lopes, Fita Métrica; Buião, Mineirinho de Vespasiano; Dionísio, Dionga; Serginho, Cabeção; Carlinhos, Sabiá; Hélio Alves, Feiticeiro; Evangelino Neves, Chinês; Ayrton Cornelsen, Lolô; Aryon Cornelsen, Careca; Couto Pereira, Major; Ney Braga, Majorengo; Adão, Nego Adão; Vasco Coelho, Vasquito; Miguel Checchia, Raposa Ruiva; Edmundo Mercer, Rin-tin-tin; Sergio Marcondes, Toco; Julio Gomel, Dedo de Moscou; Aníbal Khury, Buda; Mario Celso Petraglia, Deus; Adriano, Gabiru; Pé de Bolo, Afinho, Boluca, Ferramenta, Pé de Valsa, Mão de Onça e outras figuras inesquecíveis.

 

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