Estamos vivendo tempos estranhos em todas as atividades. Um populismo rastaquera que assombra o povo brasileiro há anos e afunda a economia do país, misturado a uma flagrante decadência técnica da seleção nacional de futebol, que já foi grande orgulho de todos nós.

Lá se foi o tempo em que o cronista de futebol escrevia apenas sobre futebol. Não por coincidência, foi o tempo em que o futebol brasileiro conquistou os seus maiores troféus internacionais. E não somente troféus. Troféus podem ser resultado do imponderável. O futebol brasileiro conquistou a admiração do mundo inteiro. Isto, sim, só se conquista com mérito.

Com mérito, talento, amor, dedicação, competência e, no caso específico do futebol brasileiro, arte, muita arte.

Pois naquele tempo em que Garrincha, Didi, Pelé, Tostão, Gerson, Rivellino, Zico, Romário, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e tantos mais encantavam os estádios e o planeta inteiro, os cronistas de futebol escreviam e falavam apenas sobre futebol.

Ultimamente, o cronista de futebol viu-se obrigado a debruçar-se sobre escândalos nacionais e internacionais, envolvendo a CBF – Confederação Brasileira de Futebol – e a FIFA – Federação Internacional de Futebol Associativo.

A poeira da corrupção levantada pelos cartolas assemelhou-se a um cogumelo atômico com a queda de diversos deles, a desgraça de outros tantos e a prisão de alguns, inclusive do ilustre brasileiro José Maria Marin, ex-presidente da CBF, guardado pela Justiça americana em Nova York.

Mas teve muito mais ocorrências que obrigaram os jornalistas esportivos a aprender outras matérias até chegarmos ao caso policial envolvendo Neymar.

Os jovens têm uma certa tendência a acreditar que o mundo e a história começam quando eles nascem. E não olham para trás.

Pois aos jovens devo informar que já fomos muito bons em futebol e, sobretudo, que existiram diversos craques superiores a Neymar. E não apenas os citados acima. Foram superiores em comportamento, disciplina, dedicação, respeito ao torcedor, técnica refinada e títulos conquistados.

Não vou entrar no mérito das acusações feitas ao célebre jogador, mesmo porque o caso está cercado de detalhes que só interessam a polícia durante o inquérito, além de mal explicados pela acusadora.

Para aumentar o desgaste na sua imagem pessoal, o pai tem desempenhado relevantes serviços. O último foi a sua presença no vestiário do time nacional durante a partida amistosa com o Catar, em Brasília.

O supervisor da seleção, Edu Gaspar, assumiu a responsabilidade pela liberação do local restrito aos profissionais a uma visita de familiar do jogador. Fato recorrente, aliás, pois durante a Copa do Mundo na Rússia a pesporrência do pai tornou-se comum na concentração da equipe.

Para completar o drama, houve a lesão que afastou o controvertido jogador da Copa América.

É impressionante como Neymar parece carregar um halo de contradição por onde passa.

Mas, pelo menos, o seu corte pode despressurizar a cobrança sobre o técnico Tite. Ou, por outra, talvez, de agora em diante, apesar dos equívocos na convocação – insistindo com jogadores que já deram o que tinham de dar para a seleção – Tite consiga desenhar um novo figurino tático que possa oferecer melhor padrão de jogo ao time.

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