Se fosse apenas dinheiro, como insistem alguns dirigentes na tentativa de justificar o fracasso dos seus times na temporada, todos os títulos em disputa seriam conquistados pelo Flamengo ou pelo Corinthians.

Os dois clubes, detentores das maiores torcidas do país, ficam com a parte do leão na divisão do bolo oferecido pela televisão.

Mas os números, as estatísticas e o retrospecto mostram, claramente, que ao acertar nas contratações dos profissionais e elaborar um plano estratégico competente para o futebol os demais clubes chegam ao título.

Com dificuldades financeiras, por conta do “imbróglio” na construção da Arena de Itaquera, a diferença do Corinthians para os concorrentes foi mais de capacidade de gestão no futebol do que pelo que recebe da televisão, dos patrocinadores ou dos associados.

Comparativamente o atual campeão brasileiro investiu bem menos na formação do seu grupo do que Palmeiras, Flamengo, Atlético Mineiro, São Paulo e outros.

O mesmo se aplica ao Cruzeiro, campeão da Copa do Brasil, e ao Grêmio, campeão da Libertadores.

O Flamengo, que gastou bastante, acabou obtendo a classificação para as finais da Sul-Americana graças a duas revelações da base: o goleiro César e o atacante Vizeu. É assim que funciona a magia do jogo da bola.

Outro exemplo de trabalho bem sucedido é o da Chapecoense – cidade com cerca de 220 mil habitantes – que, se vencer o Coritiba na última rodada, pode visar o passaporte para mais uma participação na Libertadores. Aliás, a Chapecoense recebe verba menor do que a dupla Atletiba e está melhor colocada na série A.

O problema da dupla Atletiba que é, em última análise o que efetivamente interessa ao torcedor paranaense, tem sido a dificuldade de os dirigentes estabelecerem um plano anual criativo para as suas equipes.

Ambos falharam na constituição dos elencos, se atrapalharam no troca-troca de treinadores e acabaram contratando jogadores tecnicamente decepcionantes aos olhos dos torcedores.

O drama de contratar um jogador está vinculado a Lei Pelé, promulgada em 1998, que trouxe como grande novidade o fim do passe. Cessou a ligação draconiana do jogador com o clube, que como dono do passe, era senhor do seu destino, e criou os direitos econômicos.

Os atletas ganharam autonomia, mas entrou em campo a figura do empresário. Eles passaram a negociar com clubes em nome dos jogadores. Isso resultou em melhores salários, mas também em barganhas. Há quem considere que o jogador se livrou das garras dos cartolas, mas caiu nas dos empresários.

Outra conseqüência: tornou-se comum o trânsito fácil de determinados empresários pelos clubes em que os dirigentes adotam o “fatiamento” do atleta.

Muitos passaram a ter os direitos econômicos divididos entre empresários, investidores e clubes, situação que tem feito circular muito jogador perna-de-pau ou em fim de carreira.

Incha as folhas de pagamento e aumenta as dificuldades financeiras dos clubes sem que se enxergue o retorno técnico dentro de campo.

Para constatar essa realidade basta consultar o número de jogadores registrados por cada clube ao longo do ano.

Por isso, mais do que simplesmente dinheiro, competência e transparência são fundamentais para o sucesso de um time de porte intermediário no futebol brasileiro.

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