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Opinião

Mais do que o futuro, nesta eleição está em jogo a história do Coritiba

Samir Namur tenta a reeleição no Coritiba
Samir Namur tenta a reeleição no Coritiba| Foto: Albari Rosa/Foto Digital/UmDois
  • Por Carneiro Neto
  • 25/12/2020 10:47

“A guerra é uma coisa importante demais para ser deixada por conta dos generais”.

Esta frase, de precisão cirúrgica, foi dita originalmente por um médico. E só foi adaptada e citada, como tem sido através dos tempos, por ter sido cunhada por um jornalista.

Não um jornalista qualquer, mas aquele que mandou imprimir um dos textos mais importantes do século 20, o “J'accuse” – Eu acuso – com que o escritor Émile Zola denunciou um dos mais notórios erros judiciais da historia, o famoso caso Dreyfus.

Além do mais, o autor foi estadista: senador e duas vezes primeiro-ministro da França, nos prolegômenos e no encerramento da Primeira Guerra Mundial, Georges Clemenceau a aprendeu na experiência no trato com militares e ainda nos bancos escolares acadêmicos, no convívio com os luminares das letras francesas do seu tempo.

Como o Brasil não possui nenhum estadista – e tenho duvidas se algum dia teve algum -, tanto que basta correr os olhos pela lista de Presidentes da República ou políticos em geral, a figura de um gigante como Clemenceau merece respeito.

O atual presidente, Jair Bolsonaro, pode ser até bem intencionado, mas positivamente está muito longe de ser um estadista. Ele parece agir como curandeiro que intui o diagnóstico do país, mas não sabe curar.

Bem, estou falando tudo isso para chegar ao assunto deste espaço: a eleição para escolher a nova diretoria do Coritiba.

Claro que não se pretende o surgimento de um estadista no Alto da Glória. Mas, pelo menos, que seja eleito alguém que consiga se aproximar de administradores eficientes e admiráveis, como foram Antônio Couto Pereira, Aryon Cornelsen ou Evangelino Neves no passado do grande clube.

Eleição é chance para associados tirarem o Coxa do atoleiro

O Coxa atravessa uma das suas maiores crises, tanto no aspecto financeiro, como político e, sobretudo, técnico que, em última análise, é a essência de todo time de futebol.

Endividado, dividido politicamente e seriamente ameaçado por mais um rebaixamento no Campeonato Brasileiro, chegou a oportunidade de os associados tentarem tirar o clube do atoleiro, escolhendo um dirigente a altura das tradições alviverdes.

Mais do que o futuro, está em jogo a própria história do Coritiba nesta eleição.

O dirigente de um clube de futebol obtém sucesso quando revela inteligência no trato das coisas relacionadas a atividade, liderança, visão estratégica, bom senso e redução da margem de erros própria de qualquer atividade humana.

Ou, por outra, não precisa ser um mágico para acertar, mas sim alguém com experiência e objetivos bem definidos a serem alcançados.

Clube de futebol, como qualquer empresa, é uma coisa importante demais para ser deixada por conta de amadores inexperientes. Quando isso acontece, os resultados são catastróficos, dentro e fora do campo.

Chegou a hora de os coxas-brancas virarem o jogo de uma vez por todas no Alto da Glória.

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