A morte é sempre uma perda – e nos assombra, quando se trata de um ídolo popular; nos aturde, quando o vimos, há 15 dias, entregando o troféu que levava o seu nome para o Athletico, campeão do returno do Campeonato Paranaense; nos deixa deprimidos pela constatação da irreversível transitoriedade da vida.

A morte de Dirceu Krüger emocionou não apenas os torcedores do Coritiba, clube que ele defendeu durante décadas, como jogador, técnico e assessor da diretoria, mas todos aqueles que gostam de futebol.

Kruger foi uma daquelas unanimidades raras no apaixonado mundo do futebol.

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Craque como poucos, fez jogadas mirabolantes, marcou gols fantásticos, conquistou títulos, mas também sofreu graves contusões. Uma delas – em 1969, no choque com o goleiro do Água Verde – quase o levou prematuramente. Viveu mais cinqüenta anos para curtir a idolatria que o povo coxa-branca lhe proporcionou.

O centenário e glorioso Coritiba produziu grandes ídolos através dos tempos. Do goleiro Rey aos irmãos Pizzatto e Pizzattinho; passando pelo antológico Fedato; o irrequieto Miltinho; craques discretos e insuperáveis como Almir, Ronald, Bequinha, Leocádio e Aladim; os goleadores Neno, Duílio, Tião Abatiá, Zé Roberto, Ely, Índio, Chicão e Tostão; os fantásticos goleiros Hamilton, Célio, Joel Mendes, Jairo, Manga e Rafael; os carismáticos Carazzai, Nico, Oberdan, Claudio e Hidalgo.

Mas foi Krüger, o Flecha Loira, que arrebatou, definitivamente, corações e mentes da torcida alviverde.

O jurista e político Rui Barbosa fazia uma reflexão para analisar o brilho dos homens.

Dizia que há os que resplandecem como os fogos-de-santelmo, como há os que só logram reluzir como os fogos-fátuos.

O fogo-de-santelmo é uma chama azulada que, nas tempestades, surge no topo dos mastros dos navios. Já o fogo-fátuo são faíscas que resultam de gases da matéria orgânica em decomposição.

O fogo-de-santelmo, segundo Rui, é uma chama nobre.

Ele abençoa e arrebata a alma dos desbravadores e dos destemidos. É uma luz sublime, que exalta os bravos e lhes demonstra, qual um sinal divino, que aquele é o caminho que merece ser trilhado. Já o fogo-fátuo é uma chama rasteira e fugaz.

Como no futebol, muitas vezes surge um jogador que empolga algumas vezes, porém não consegue manter regularidade ou boa média de atuações. Ele fascina somente aqueles que desconhecem a natureza do verdadeiro craque.

Jogadores da estirpe de Krüger são raros. Valem ouro. Valem o quanto pesam em categoria técnica, em disposição física e, sobretudo, em caráter de competidor. Krüger tinha brilho próprio e foi um craque completo.

Kruger foi uma flecha iluminada do Coxa!

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