Neymar é um dos mais completos jogadores do momento. Fácil, fácil, já está entre os vinte ou trinta maiores craques de todos os tempos.

Trata-se de um jogador com muitas habilidades individuais, sentido coletivo de jogo, inteligência nas decisões tomadas com a bola em movimento, visão periférica nas jogadas, efetivo nas finalizações e invariavelmente em condições físicas ideais para cumprir duas atuações semanais em alto nível.

Não é pouca coisa.

Porém, em se tratando de um jogador consagrado, acima da média e entre os três melhores do mundo nas últimas temporadas – abaixo apenas dos fenômenos Cristiano Ronaldo e Messi -, há quem o considere imaturo para carregar a fama adquirida. Pode ser. O pai dele gosta de exibir-se e exigiu a colocação de Neymar Junior na camisa dos times pelos quais ele jogou. Se fosse filho de Romário, Ronaldo ou Rivaldo seria uma justa homenagem ao pai, com a inserção do Junior na camisa. Mas não consta que Neymar sênior tenha sido um craque.

Mas deixa prá lá e vamos ao que efetivamente interessa.

Autor de quatro gols e dois passes que resultaram em gols na goleada aplicada pelo PSG no Dijon – que faz melhor mostarda do que time de futebol -, Neymar conseguiu sair de campo vaiado pela torcida do seu próprio time.

Tudo porque o uruguaio Cavani está há mais tempo no clube, é respeitado pelo torcedor e se convertesse o pênalti, que Neymar não deixou ele cobrar, se tornaria o maior artilheiro da história do PSG.

Cavani chegaria aos 157 gols e superaria o sueco Zlatan Ibrahimovic.

Deve marcar o gol na próxima partida, daí a incompreensível vaia para o goleador Neymar.

A imprensa esportiva francesa considerou o brasileiro egoísta ao não ceder a cobrança do pênalti, não saudar a torcida e sair com a bola do jogo debaixo do braço sem falar com ninguém.

Pelo seu estilo de jogo, entre o provocador e desconcertante, Neymar tem irritado muitos adversários. Claro que vivemos uma época de transição social, do politicamente correto, onde um inocente flerte pode ser interpretado como assédio sexual.

“Ó tempos ! Ó costumes!’, já exclamava Cícero contra a depravação de seus contemporâneos romanos .

O futebol também foi alcançado pelos novos tempos e um estudo poderia ser feito sobre o sentido metafórico que têm determinados lances do futebol.

É provável que se descubra que dar um chapéu no adversário equivale simbolicamente a castrá-lo ou torná-lo impotente.

Ou que passar a bola entre as pernas do marcador tenha o sentido de uma violação sexual. Não por acaso o jogador que recebe uma bola entre as pernas tem o reflexo, tardio, de juntar os joelhos bruscamente. São, atualmente, dois lances que ofendem a virilidade do atleta.

Como Neymar é pródigo em aplicar meia-lua ou drible da vaca, em seu vasto repertório de fintas, provoca um efeito desorientador e paralisante nos contrários.

A cobrança do pênalti é o momento em que esse confronto entre indivíduos se apresenta de modo mais dramático e crucial.

Dois heróis parados, frente a frente, entre eles a bola, como se fosse um bom e velho duelo ao entardecer nos filmes de faroeste.

Que coisa linda o futebol. Que coisa linda a inventividade e a plástica dos craques.

Não é fácil, mas Neymar precisa dosar o temperamento para conviver como craque, ídolo e celebridade ao mesmo tempo.

Do aplauso a vaia é um pulo.

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