Durante décadas, o futebol brasileiro foi homenageado e festejado por todos, graças, única exclusivamente, aos inúmeros craques que conseguiu revelar a cada nova década.

Da conquista do primeiro título mundial, em 1958 na Suécia, até o pentacampeonato, em 2002, no Japão, foram anos dourados, tanto que pouco se falava dos técnicos que dirigiram as equipes vitoriosas.

Feola foi quase folclórico, apesar de ter aprendido muito com o húngaro Bela Gutman; Aymoré Moreira não inventou no bi, limitando-se a trocar os dois zagueiros interiores – Bellini e Orlando por Mauro e Zózimo – e lançar Amarildo quando Pelé se lesionou na segunda partida da Copa no Chile;

Zagallo foi enaltecido pelo esquema de jogo do Tri, mas não tanto quanto as individualidades reluzentes daquele time inesquecível;

o Tetra veio na conta o chá, na decisão por pênaltis com a Itália, mas Parreira ficou com a glória tanto quanto Felipão no Penta, apesar de todos reconhecerem o talento pessoal de Marcos, Lucio, Cafu, Roberto Carlos, Rivaldo, Ronaldinho Gaucho, Ronaldo Fenômeno e outros da última grande geração de futebolistas brasileiros que encantou o mundo.

Telê Santana fracassou em dois Mundiais, mesmo contando com talentos do nível de Junior, Cerezzo, Falcão, Zico, Sócrates, mas mereceu respeito pela seriedade, o que não se verificou com Claudio Coutinho, Lazaroni, Dunga, os três bastante contestados e, de novo Felipão, que sucumbiu nos 7 a 1 da Alemanha, no Mineirão.

Agora Tite, que falhou na Copa da Rússia, tenta garantir-se até o Catar. Não está fácil. Os jogadores não colaboram, o time se arrasta, tática e tecnicamente, e nem mesmo o badalado e improdutivo Neymar consegue ajudar.

Falta espírito coletivo para a seleção de Tite, o qual está encontrando grandes dificuldades para eleger a formação ideal e, conseqüentemente, o sistema de jogo adequado.

Em contraste, a Argentina está jogando bem e pelo menos seis selecionados europeus estão melhores preparados que o time canarinho: França, Espanha, Itália, Bélgica, Inglaterra e Alemanha.

Demorou, mas caiu a ficha e os graves problemas do futebol brasileiro estão aparecendo.

O trabalho nas categorias de base da maioria dos clubes tem se mostrado deficiente; os novos treinadores - muito despreparados - não conseguem se firmar nos times principais, daí a incrível rotatividade de comandantes durante os campeonatos e a nova safra de jogadores está deixando a desejar.

Todos só pensam em dinheiro e a crise técnica é muito grave. Em nosso futebol, segundo lugar é a mesma coisa que último. A frase pode ser batida, mas reflete a realidade. O nosso torcedor vive de emoção e não tem emoção maior do que ser campeão.

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