Em passado recente era comum ler ou ouvir dos melhores treinadores e dos mais preparados críticos escrevendo e falando que o futebol estava muito nivelado no mundo inteiro. E estava igual mesmo. Tanto na parte técnica dos jogadores como na evolução tática promovida pelos treinadores.

Exatamente por essa mesmice em campo, foi diminuindo o encantamento pelo padrão técnico da Copa do Mundo na medida em que rareavam os craques fora de série e as seleções conquistavam o título jogando na chamada conta do chá.

Ou, por outra, jogando para o gasto como aconteceu com a França, para citarmos o exemplo mais recente, na sua vitoriosa campanha na Copa da Rússia, em 2018.

Mas o craque consegue mesmo fazer a diferença e, pouco a pouco, fomos constatando que o futebol está muito desnivelado no mundo inteiro. Ou seja, quem conta com maior número de jogadores acima da média acaba conquistando os títulos de relevância.

A prova mais evidente desta realidade é a concentração de grandes jogadores nos principais clubes europeus, fazendo com que os títulos se concentrem em poucos países.

Depois da fase de ouro do Real Madrid, primeiro com os chamados galácticos – Roberto Carlos, Zidane, Beckham, Figo, Raul e Ronaldo Fenômeno –, veio a campeoníssima geração de Cristiano Ronaldo. Porém, hoje em dia, o maior vencedor do planeta está ficando fora das finais da Liga dos Campeões da Europa e tem sobrevivido graças ao talento individual de Benzema ou eventualmente dos brasileiros Rodrigo e Vinícius Junior. Muito pouco para igualar-se aos novos bichos-papões ingleses ou o Bayern, de Munique, colecionadores de taças nas últimas temporadas.

O PSG investiu pesado e ensaia uma reação, mas se observa que as dificuldades serão grandes para alcançar o objetivo que é ganhar a taça europeia entre clubes milionários.

Até o Barcelona, que encantou em passado recente com o trio Messi, Neymar e Suárez, além dos espetaculares Piqué, Puyol, Iniesta e Xavi, diminuiu de tamanho por questões econômicas, caiu de produção e anda até mesmo irreconhecível no próprio campeonato espanhol.

No confronto entre seleções nacionais até que o desnivelamento não chega a ser tão flagrante, mas é inquestionável a necessidade de a equipe contar com jogadores fora de série.

Benzema e Mbappé fizeram a diferença nas partidas decisivas da recente Liga das Nações e a França voltou a ser campeã.

Por isso, como sempre aconteceu, a seleção brasileira é dependente dos seus maiores craques. No momento, Neymar está acima de todos. Principalmente quando resolve jogar, como aconteceu nesta goleada sobre o Uruguai.

Daí o time nacional cresce e surgem boas novas alternativas como Antony e, sobretudo, Raphinha, uma revelação de primeira grandeza.

Oxigênio renovado para a seleção e sobrevida para Tite.

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