Com o baixo nível técnico da maioria absoluta das equipes brasileiras, o noticiário do futebol tem girado em torno de três temas: a novidade representada pela SAF – Sociedade Anônima de Futebol -, a violência das torcidas nos estádios e nas ruas e o desembarque em magotes de técnicos portugueses.

Parêntese para uma historinha de Hollywood.

Num jantar para celebrar seu aniversário, o célebre Charles Chaplin divertiu seus convidados a noite inteira imitando pessoas que conhecia: homens, mulheres, crianças, seu motorista, seus empregados japoneses, seus secretários.

Finalmente cantou a plenos pulmões uma ária de ópera italiana.

Alguém exclamou: “Ora, Charlie, não sabia que você cantava tão bem!”. Ele respondeu: “Mas eu não canto nada. Estava só imitando Caruso”.

Após o grande sucesso do treinador português Jorge Jesus no comando do time do Flamengo os incorrigíveis dirigentes do futebol brasileiro estão a procurar imitadores.

Abel Ferreira, campeoníssimo no milionário Palmeiras, é a única exceção.

Os demais, até agora, não aprovaram e dois nem bem chegaram e já estão entrando na linha de tiro: Paulo Sousa, no Flamengo, e Vitor Pereira, no Corinthians.

A violência, como é de conhecimento geral, não tem nada a ver com os clubes que, equivocadamente, acabam sendo punidos pelos legisladores após os quebra-quebras nos estádios, nas ruas ou nos pontos de ônibus e de metrô.

O caso é de segurança pública e se a polícia se mostra incapaz de conter os vândalos travestidos de torcedores que se recorra ao Exército para ajudar na restauração da ordem pública em dia de jogos de futebol.

O surgimento da SAF está alimentando o sonho dos cartolas que quebraram quase todos os times do país.

Eles acreditam que conseguirão resolver todos os problemas como se pudessem dar um passe de mágica com parcerias, investidores ou grupos financeiros dispostos a desembarcar recursos a rodo.

Longe disso.

Quem conhece minimamente, bem minimamente como é o meu caso, o mercado financeiro sabe que dono de dinheiro bom não investe em negócio ruim.

E até que se prove o contrário, em termos econômicos, o futebol brasileiro continua longe de ser um investimento seguro diante de tantas transações mal feitas nas últimas décadas.

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