A Copa Libertadores da América voltou a todo vapor, com intensidade das equipes envolvidas na maior competição continental e com resultados arrebatadores nos altiplanos da Cordilheira dos Andes.

A goleada de 5 a 0, imposta pelo Independiente del Valle ao Flamengo, em Quito surpreendeu a todos. Da mesma forma que a virada de 3 a 2, aplicada pelo Athletico no Jorge Willstermann, em Cochabamba, a 2 mil e quinhentos metros de altitude.

Os cariocas podem alegar que o ar rarefeito da capital equatoriana influiu no rendimento do time, mas torna-se difícil justificar uma atuação tão confusa, seguida de impiedosa goleada. A realidade é que os jogadores do Flamengo ainda não assimilaram a troca do vitorioso e carismático português Jorge Jesus pelo dedicado e insosso espanhol Domènec Torrent.

Enquanto Jesus já deu adeus a Liga dos Campeões da Europa com a prematura eliminação do Benfica, Torrent está sendo colocado à prova na direção do atual campeão brasileiro e da Copa Libertadores da América. O treinador está tentando implantar a sua filosofia de trabalho, a qual envolve o rodízio de jogadores. Algo que Jorge Jesus também fazia, só que de maneira mais sutil e sem mexer na estrutura tática do time.

Domènec Torrent tem sido acusado de mudar muito, de inventar demasiadamente e, exatamente por essa razão, as atuações tem deixado a desejar no Campeonato Brasileiro em andamento. Como a Libertadores é outra conversa, o retorno do Flamengo não poderia ter sido mais desastroso.

Em compensação, mesmo encarando a baixa pressão de oxigênio no alto da montanha lá na Bolívia, o Furacão surpreendeu com uma atuação digna de competidor internacional. Mérito dos jogadores que se superaram física e tecnicamente, além da ousadia do jovem treinador Eduardo Barros, que apostou no volante Christian como meia atacante e em outro volante, o veterano Lucho Gonzalez, como falso centro avante.

No inicio o representante paranaense sentiu a carga pesada do adversário, sofreu o primeiro gol, mas conseguiu reequilibrar-se técnica e taticamente ao ponto de buscar duas vezes o gol de empate na movimentada partida que reabriu o grande torneio sul-americano depois da paralisação imposta pela pandemia do coronavírus.

E o gol do triunfo consagrador saiu após perfeito cruzamento do ala direito Jhonatan para o experiente atacante Walter, que acabara de entrar em campo, finalizar com categoria.

Mas o que deixou todos que viram o jogo de boca aberta foi a agressividade do time atleticano quando tinha a posse de bola e a determinação com que lutou para conter a pressão dos bolivianos.

Ficou a impressão de um desafio de vida ou morte assumido por todos os jogadores, atitude que aumentou o prestígio do promissor técnico Eduardo Barros, que andava precisando de resultados para firmar-se no cargo.

Vencendo o clássico Atletiba e assumindo a liderança do seu grupo na Libertadores, a semana foi mais do que satisfatória para os atleticanos.

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