A ausência de gestão profissional e de uma estrutura jurídica de responsabilização dos dirigentes resultou em um futebol com extrema dificuldade no Brasil e na América do Sul.

A maioria dos grandes times, inclusive os que participam das fases decisivas da Copa Libertadores da América, apresenta-se inviável financeiramente.

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Discute-se, em nosso país, se o modelo de propriedade associativo vigente, com gestão amadora, deve continuar. Uma possibilidade seria aprovar o projeto de lei, que tramita na Câmara Federal, para transformar os times em empresas privadas que visem lucro, de forma a estimular a gestão e o acesso ao mercado mundial.

Dúvidas não faltam, pois quase tudo o que se cria de novo no Brasil acaba não funcionando por excesso de marcos regulatórios, bacharelismo lusitano e outros ranços da antiga burocracia colonial que persiste há séculos.

O modelo atual é arcaico, no qual os sócios do clube votam, elegendo uma diretoria sem fins lucrativos. O modelo é baseado na luta pelo poder político de grupos, gerando administrações ineficientes que retribuem seus eleitores com favores e cargos durante a gestão amadora.

Porém, da mesma forma que o Mercosul anda emperrado há anos, as coisas são muito complicadas neste lado de baixo do Equador.

Além da falta de bons princípios para a realização dos negócios e a histórica malandragem que caracteriza a maioria dos políticos em todos os países deste sub-continente, observa-se clara falta de competência para uma gestão eficiente.

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Querem um exemplo, simples e atual ?

A recente decisão da Conmebol de realizar a final da Copa Libertadores da América em apenas um jogo, em cidade neutra.

A risível tentativa de imitar o vitorioso modelo para a final da Liga dos Campeões da Europa desagradou a todos.

Não há termos de comparação entre as condições de civilidade, facilidades de transporte coletivo e proximidade das capitais europeias com as dimensões continentais da América do Sul.

Além, é claro, das nossas históricas deficiências de transporte público para longas distancias, como a ausência de trens de alta velocidade, por exemplo.

Continuamos muito atrasados em comparação com os europeus e o único meio de transporte coletivo é o aéreo, com elevados custos, como se sabe.

Mas o futebol sul-americano sobrevive mal com dirigentes pobres e burros, tomando decisões que só atrapalham os já atrapalhados clubes continentais.

Então, em vez de duas partidas memoráveis entre Flamengo e River Plate, uma no Maracanã e outra no Monumental de Nuñez, a Conmebol programou a final para Santiago, com o Chile em chamas.

Os 70 mil flamenguistas, que normalmente tomam conta das dependências do Maracanã, terão de desembolsar 80 dólares pelo ingresso do jogo, algo em torno de 330 reais; hospedagem de um dia em Santiago por cerca de 600 reais e bilhete aéreo em torno de 6 mil reais.

Onde está a lógica disso ? Onde reside a inteligência desse tipo de negócio proposto pela entidade que comanda o pobre, literalmente pobre, futebol sul-americano ?

Dúvidas podem ser esclarecidas com correspondência, selada, enviada para a sede da Conmebol, no Paraguai.

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