Na arte dramática geralmente é assim: um ator sai de cena quando a idade lhe rouba o brilho de grandes interpretações.

O velho artista já não tem forças para resistir a dura labuta de decorar os textos, interpretar e elevar a arte de representação até o delírio da platéia que não lhe economiza aplausos.

Na arte do futebol, o ator geralmente sai de cena quando a cabeça continua comandando, mas as pernas não obedecem. Os rigores do tempo são mais cruéis com os atletas, especialmente aqueles que se habituaram a atuar em alto nível de excelência técnica.

A mesma gangorra que faz o jogador subir aos píncaros da fama o faz desmoronar se não souber sair de campo na hora certa e pendurar as chuteiras com honra.

No teatro, no cinema ou em outras atividades cênicas o ator de prestígio, com o tempo, passa a interpretar papéis mais adequados a sua idade. Em vez de continuar como herói da peça ou do filme, torna-se o pai ou um tio bom conselheiro. Isso serve tanto para os atores quanto para as atrizes.

No esporte não dá para seguir em frente. A não ser como técnico, supervisor ou comentarista de televisão.

Aqui no Brasil existe um certo corporativismo da classe que passou a ocupar os espaços reservados aos jornalistas profissionais nos programas esportivos. Cada vez mais se observa ex-jogadores participando de programas ou transmissões. Porém,  logo ao primeiro convite para retornar a ribalta dos estádios, eles largam tudo e voltam para o ambiente dos vestiários.

O importante é o jogador saber parar no momento adequado.

Os craques mais famosos organizaram despedidas históricas como Pelé, no Cosmos, de Nova York ou Garrincha e Zico em noites festivas no Maracanã.

Rivellino não teve a mesma sorte, pois contratado pelo Al Hilal, da Arábia Saudita, desentendeu-se com o príncipe Kaled, que era o dono do time, e teve a carreira encerrada em 1981.

Outros se despediram em grande estilo como Romário, Rivaldo, Ronaldo. Mas alguns não se saíram bem na carreira gastando todo o dinheiro que foi ganho e passando por necessidades na aposentadoria.

Alguns outros exercitaram verdadeiro espeto corrido de besteiras, consumindo o dinheiro com advogados e dívidas contraídas.

Adriano, o Imperador, é um desses casos tristes de uma carreira abortada bem antes da hora. Respeitam-se as suas opções pessoais e decisões tomadas, mas lamentam-se as oportunidades desperdiçadas e a perda de um jogador que tinha tudo para coroar uma jornada gloriosa no futebol.

Há alguns dias Ronaldinho Gaúcho anunciou a aposentadoria. Outro exemplo de trajetória acidentada. Eleito duas vezes o melhor do mundo e com passagens brilhantes pelo Grêmio, Barcelona e seleção, não foi feliz na volta ao futebol brasileiro. Ficou devendo em suas passagens por Flamengo e Fluminense e conseguiu algumas boas atuações apenas no Atlético Mineiro.

Pouco para um fenômeno da sua categoria.

Alguns se preocupam com o futuro de Neymar que, sendo craque consagrado, tem se prejudicado pela imaturidade, como no recente episódio do pênalti no PSG.

Os ídolos sabem usufruir da glória, mas devem se programar para quando tiverem de ir fechando as cortinas das grandes atuações.

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