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Opinião

Quem vai comandar o funcionário Petraglia no Athletico?

Petraglia anunciou que será o CEO remunerado do Athletico
Petraglia anunciou que será o CEO remunerado do Athletico| Foto: Albari Rosa/Arquivo/Gazeta do Povo
  • Por Carneiro Neto
  • 29/10/2020 10:22

Na partida em que realizou a sua melhor apresentação nos últimos nove jogos – não por acaso foi a estreia do treinador Paulo Autuori -, mesmo saindo injustamente derrotado pelo Flamengo, pela Copa do Brasil, a bomba da noite foi detonada pelo presidente Mario Celso Petraglia.

Em nota virtual, o velho e famoso dirigente anunciou a vontade de afastar-se da presidência do Athletico e assumir o cargo remunerado de CEO.

CEO, para quem não sabe, quer dizer “Chief Executive Officer”: o topo da hierarquia empresarial. Ele propõe que o assunto seja analisado pela Assembleia Geral dos Sócios.

Claro que o assunto vai provocar muita discussão, muito pano para a manga, pois quem conhece Petraglia sabe que, mesmo nos períodos em que esteve fora da presidência, sempre foi ele que comandou o clube.

As exceções, com turbulência, foram os presidentes Ademir Adur, Marcus Coelho e Marcos Malucelli.

Os demais se transformaram em bonecos manipulados pelo dono do destino atleticano nesses 25 anos de transformações patrimoniais, esportivas e conceituais.

Convivi durante muito tempo com Mario Celso Petraglia e reconheço o seu talento administrativo e visão estratégica.

Entretanto, ele não é, por natureza, otimista. Convencido das fraquezas dos concorrentes e, com frequência, perspicaz em detectá-las, na maior parte da sua carreira nutriu desprezo pela maioria deles.

Um homem com ódios tão poderosos não consegue ser otimista, uma vez que é da natureza do ódio esperar o pior de todas as situações.

Ele é cético, obstinado, visionário e extremamente autossuficiente. Alimenta especial antipatia por todos aqueles que o contrariam, sejam adversários, companheiros de diretoria ou, sobretudo, homens da imprensa.

Realizador, aproveitou um grupo de excelentes colaboradores nos primeiros cinco anos da revolução implantada no clube, para sedimentar o terreno. Depois, ficou sozinho e navegou em águas turbulentas, vivendo permanentemente em estado de tensão.

O resultado positivo está aí, porém o Athletico vive uma encruzilhada do destino: necessita resolver a questão da Arena da Baixada com o Governo do Estado e a Prefeitura de Curitiba, foi suspenso pela FIFA e só poderá contratar novos jogadores na metade do próximo ano, o elenco formado para esta temporada é tecnicamente fraco e claramente falta comando no CT do Caju.

Adoentado, em vez de resignar-se e pedir licença simplesmente, resolveu propor a criação de um cargo remunerado para ele.

Faço apenas uma pergunta: Quem vai comandar o Petraglia empregado?

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