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Opinião

Craques surgiram e se foram, ídolos se eternizaram, mas ninguém foi maior que Pelé

Pelé com a taça do Tri em desfile em 1971 na Champs-Élysées, em Paris
Pelé com a taça do Tri em desfile em 1971 na Champs-Élysées, em Paris| Foto: AFP
  • PorCarneiro Neto
  • 24/04/2020 11:10

Em tempos de quarentena já li e reli vários livros, assisti e reassisti diversos filmes. Tudo para passar o tempo.

A televisão tem mostrado uma série de jogos do passado, com destaque aos melhores momentos da seleção brasileira através das seis décadas do pentacampeonato.

Craques surgiram, craques se foram, ídolos se eternizaram, alguns decepcionaram depois de pendurar as chuteiras. Mas ninguém foi maior do que Pelé.

Toda unanimidade é burra, costumava dizer o teatrólogo e cronista Nelson Rodrigues, mas ele também idolatrava Pelé em seus comentários nas páginas do Jornal dos Sports e de O Globo.

Pelé era reconhecido por Nelson Rodrigues como o óbvio ululante. Não se discute o óbvio, ainda mais se ululante e unânime. O próprio Rei do futebol, quando jogador, sempre fez questão de separar Pelé, o gênio da bola, do cidadão Edson, embora fosse a mesma pessoa.

Era engraçado ouvir as suas entrevistas quando falava do Edson como se houvesse outra identidade no mesmo corpo. E Pelé também era tratado como uma terceira pessoa, pois ele se referia não com o pronome eu, mas, por exemplo, como uma jogada bem concluída pelo Pelé.

Na sua época o maior rival internacional foi o atacante argentino Di Stefano, do Real Madrid. Craque como poucos, Di Stefano comandou o time espanhol na conquista do pentacampeonato europeu, mas jamais ganhou uma Copa do Mundo.

Tampouco marcou mais de mil gols.

Assim como Sivori, Overath, Cruyff, Platini, Mathaus, Maradona, Zico, Zidane, Romário, Ronaldo, Ronaldinho Gaucho, Cristiano Ronaldo e Messi foram autênticos fenômenos da bola e não ganharam três Copas do Mundo.

Somente Pelé conseguiu a façanha.

Quem teve a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente percebeu que se trata de uma pessoa educada, modesta e bastante simples nas atitudes. Simpático e comunicativo na saudação ao público e nos apertos de mão antes do jogo, quando a bola rolava, ele virava uma fera.

Subitamente se transformava, como se os quatro elementos entrassem em fúria no apito inicial do árbitro. E não dava moleza para ninguém. Aquele zagueiro uruguaio na semifinal da Copa de 1970, no México, que diga.

Cansado de levar pontapés o jogo inteiro, a certa altura, na metade do segundo tempo, Pelé correu lado a lado com o marcador até desferir a cotovelada no seu rosto. O revide foi tão bem feito que a arbitragem assinalou falta a favor da seleção brasileira.

Eleito o Atleta do Século, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, todos cinzelaram em ouro o seu nome, sílaba por sílaba. Pelé Eterno, não deixe de assistir este filme na quarentena.

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