Não chega a ser a tradução estrambólica do título que recebeu para a língua portuguesa o filme Annie Hall, de Woody Allen: Noivo neurótico, noiva nervosa. Longe disso. Mas que o Athletico conta com um técnico nervoso e um time irregular não resta sombra de dúvida.

Pelo menos é o que podemos deduzir depois de quatro derrotas consecutivas no Brasileirão, sendo duas em plena Arena da Baixada, entremeadas pela vitoriosa classificação às semifinais da Copa Sul-Americana e às quartas-de-final da Copa do Brasil.

Como explicar tantos altos e baixos em tão curto espaço de tempo? Bem, primeiro, o treinador António Oliveira é inteligente, porém, inexperiente e nervoso. Vive discutindo com bandeirinhas, auxiliares e árbitros na maioria das partidas.

Por outro lado, preocupantemente, demonstra dificuldade para extrair o máximo do grupo de jogadores colocados à sua disposição.

Claro que não chega a ser exatamente um elenco recheado de alternativas, mas já passou da hora de ele dar um jeito de fortalecer o setor defensivo, onde Pedro Henrique e Thiago Heleno andam falhando acima do normal, e, sobretudo, o meio de campo que combate mal e se mostra tecnicamente carente de valores individuais.

Como conta com eficientes pontas-de-lança, com destaque a Terans e Christian, e com o experiente Nikão, a equipe consegue tirar proveito sobre alguns adversários, especialmente na Sul-Americana onde o padrão técnico é inferior ao do Brasileirão

Bissoli surge como esperança, já que Renato Kayzer tem sido extremamente oscilante nesta temporada em uma posição que fatalmente será ocupada por Pedro Rocha. Repercutiu mal a última declaração do treinador português que revelou cansaço mental e falta de paciência após a derrota para o atual sofrível time do Corinthians.

Como terá o desafio com o Santos, quarta-feira pela Copa do Brasil, o Athletico conta com o tarimbado Paulo Autuori para tirar a pressão do jovem António Oliveira. Talvez, os dois se somem na tentativa de motivar os jogadores em mais uma jornada de alta superação.

Aliás, superação individual que tem sido a maior característica atleticana nas últimas semanas, como ficou bem claro na desconcertante virada sobre a LDU. Mas, com técnico nervoso e time irregular, o Furacão poderá transformar a sua trajetória em sinônimo do apelido histórico. Com todas as conseqüências de um autêntico furacão.

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