O que não enxerga é o Mizaru. O que não escuta é o Kikazaru. E o que não fala é o Iwazaru.

Estes são os Três Macacos Sábios esculpidos na porta do Estábulo Sagrado do templo xintoísta do século 17 que está na cidade de Nikko, no Japão.

Pois já passou da hora de as entidades esportivas – CBF e Conmebol – adotarem os três macacos como símbolos de suas corporações.

São tantas as reclamações dos filiados, dirigentes envolvidos em escândalos de propina e equívocos relacionados a elas que um dia alguém de bom senso precisa se perguntar para que mesmo servem essas organizações que controlam o futebol sul-americano.

O FBI continua na cola de diversos cartolas e não vou discutir o mérito da punição imposta ao Santos pelo fato de ter utilizado um jogador em situação irregular. Mas é preciso refletir sobre a inoportunidade da Conmebol ao punir o clube paulista exatamente no dia da partida com o Independiente, pela Copa Libertadores da América.

A infelicidade da ocasião mexeu com os brios do time e influenciou fortemente o ânimo da torcida que lotou o estádio do Pacaembu. Deu no que deu. O jogo não acabou, por pouco o publico não invadiu o gramado e, obviamente, o Santos será punido por isso.

Mas se existem muitos cartolas que fingem não enxergar as mazelas cometidas, ou não escutar e não falar, a CBF tem o seu orador oficial: Tite.

O atual técnico da seleção brasileira gosta de expor as suas idéias, planos e até mesmo convicções mais reservadas.  Trata-se de um personagem interessante e, por isso mesmo, respeitado pela maioria.

Tanto que, apesar do fracasso da equipe na última Copa do Mundo, foi mantido no cargo com aprovação geral.

O primeiro problema a ser enfrentado por Tite é tentar sensibilizar o torcedor para que volte a acreditar nas possibilidades da seleção, cuja imagem vitoriosa encontra-se desgastada há alguns anos. Além da necessidade de motivar os craques milionários que moram na Europa. E pedir que Neymar não se jogue tanto no chão.

Iniciando os preparativos para a Copa América, que o Brasil sediará no próximo ano, o selecionado nacional reaparecerá em amistoso com os Estados Unidos, em Nova Jersey. Depois enfrentará o bravo escrete de El Salvador.

Aí é que se instalam as dúvidas quanto à evolução tática e técnica da equipe verde-amarela.

Que tipo de experiência positiva poderá advir dos testes com dois adversários reconhecidamente frágeis no plano técnico?

Sinceramente, esses amistosos parecem servir apenas para reunir o grupo, faturar um bom dinheiro com a renda dos jogos e com a polpuda taxa oferecida pela televisão.

No plano estratégico de Tite esses jogos não representam objetivamente nada.

A seleção brasileira deveria ser testada por adversários mais qualificados.

Tipo a Bélgica, que nos eliminou. Ou França e Croácia que decidiram o mundial na Rússia.

Parece claro que o futebol brasileiro ficou muito atrás do modelo que se pratica atualmente na Europa. Por clubes e seleções.

Participe da conversa!
0