Há duas correntes em franco antagonismo no encerramento do Campeonato Brasileiro. De um lado, o descontrole dos dirigentes demitindo técnicos em curto tempo de trabalho, não raro de forma irrefletida. De outro, de parte daqueles profissionais que já ganharam bastante dinheiro no futebol, que não admitem críticas nem opiniões contrárias ao que andam fazendo.

A média de demissão de treinador nesta temporada superou as anteriores, pois houve casos em que o sujeito mal estava conhecendo os jogadores e foi mandado embora pela falta de bons resultados.

E ainda tem cartola falando em planejamento estratégico dos clubes brasileiros.

Do outro lado, alguns técnicos se apresentam indignados com as críticas ou mesmo supervisores, como Paulo Autuori, do Atlético, que xingou os associados e torcedores que lhe pagam belo salário.

O resultado é uma disputa muito pobre aos olhos do torcedor.

Na crista da discussão de um campeonato confuso a única exceção foi o Corinthians, merecidamente campeão por antecipação.

Com poucos investimentos, de acordo com a realidade econômica do país, a diretoria do Corinthians operou com sabedoria ao promover o jovem Fábio Carille no comando de uma equipe simples e bastante competitiva.

Ao contrário, Palmeiras, Flamengo, Atlético Mineiro e São Paulo gastaram verdadeiras fortunas, trocaram o treinador a vontade, usaram dezenas de jogadores e estão tentando convencer os torcedores de que uma vaga na Libertadores justificará os elevados investimentos.

Com custo menor, Botafogo e Vasco também sonham com o torneio continental. Cruzeiro, campeão da Copa do Brasil, e Grêmio, finalista da Libertadores, realizaram contratações pontuais e se deram bem.

Regionalmente comemora-se a recuperação de Bahia e Chapecoense, dirigidos por velhos conhecidos dos paranaenses: Carpegiani e Gílson Kleina. Mas desenha-se um desastre no futebol pernambucano com a iminente queda do Sport para a série B e o afundamento de Santa Cruz e Náutico que caíram para a série C.

Marcelo Oliveira demorou, mas acabou encontrando uma porta de salvação para o Coritiba que ao vencer com dificuldades o Flamengo ficou a dois pontos do Atlético. O mesmo Atlético que se descuidou muito na organização do time e desperdiçou um ano de excelente calendário.

Mas se o Coxa começa a respirar mais aliviado com o afastamento do fantasma do rebaixamento, surge importante destacar que as suas campanhas nos últimos anos foram deploráveis.

É como disse outro dia um amigo coxa-branca: “Já que não podemos mudar a realidade, mudemos os olhos com que lhe vemos”.

O Furacão alternou diversos procedimentos ao longo do campeonato e em nenhum momento conseguiu convencer a torcida de que existe, efetivamente, um plano racional para alcançar os objetivos.

A quantidade de más contratações, o desequilíbrio tático-técnico e, sobretudo, o precário condicionamento físico da maioria dos jogadores refletiram na arquibancada com vaias, crise política e a proibição da entrada das torcidas organizadas na Arena da Baixada.

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