Encerrada a Copa do Mundo na Rússia, os principais campeonatos europeus e, principalmente, a Liga dos Campeões da Europa, as atrações futebolísticas na televisão voltaram a ser o Brasileirão.

A pobreza do futebol doméstico salta aos olhos.

A mediocridade parece que vai sair da tela do aparelho transmissor.

E não é por falta de bons estádios; do VAR (vídeo assistant referee) – o popular árbitro de vídeo, ainda não implantado por aqui; da diminuição da paixão do torcedor pelos seus times de coração, nada disso.

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Simplesmente as equipes brasileiras se degradaram tecnicamente.

Milhões de torcedores foram aceitando, resignados, a baixa qualidade técnica dos jogadores que não conseguiram sair do país e o gosto pessoal do espectador foi simplificado.

Os mais ferrenhos e apaixonados torcedores não abriram mão de ir aos estádios para sofrer e vibrar com as cores dos seus clubes. Mas outros tantos milhões de aficionados não aceitaram a queda brusca do padrão apresentado e pouco a pouco foram se afastando do futebol. Baixou o índice de público nos estádios e, sobretudo, na audiência das partidas transmitidas pelas redes televisivas.

Outro fenômeno com o qual estamos sendo forçados a conviver é o desconhecimento da maioria em relação aos jogadores que foram em massa para o exterior.

Na própria seleção brasileira há jogadores que pouco deles se sabe. Um jogador precisa ser visto muitas vezes, seguido, examinado, entendido em suas sutilezas. Vê-lo, de vez em quando, atuando em outro país pela TV é diferente do dia-a-dia dos campeonatos internos.

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A maioria dos craques, se é que podemos chamar a maioria de craques, convocados por Tite para a Copa foi embora há muito tempo. Quando grandes jogadores saem dos clubes de origem, o torcedor perde o contato, deixa de acompanhar as suas vidas como ídolos distantes e vai se desacostumando de vê-los inteiramente.

Está aí Neymar. Um craque desgastado pelo comportamento que beirou a infantilidade em campo; um ídolo caído com a fraca atuação no jogo em que o Brasil foi eliminado; um profissional em crise existencial.

O futebol moderno tornou-se muito estranho.

Pelo menos aos meus olhos acostumados com a geração de ouro do tricampeonato mundial, mais os craques que surgiram na seqüência até chegarmos aos últimos verdadeiramente fora de série como Romário, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho e mais alguns poucos.

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Não se trata de saudosismo ou de que é preciso aceitar que futebol se tornou um negócio, que futebol arte é algo do passado. Negativo. Basta conferir as apresentações de diversos times ou seleções europeias para verificar que o jogador de raiz, com talento, permanece vivo.

O futebol ou qualquer outro espetáculo, como na vida de cada um, não obriga a pessoa a se acostumar, mesmo a contragosto, com um cotidiano de privações e precariedades.

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