Quando completar 20 anos sem a conquista de um título mundial, na próxima Copa do Mundo, em 2022, no Catar, a seleção brasileira surge como o maior símbolo do retrocesso técnico, administrativo e de trabalho mal feito na base dos clubes nesse período.

Com o encerramento das carreiras de Cafu, Roberto Carlos, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Ronaldo e outras lendas do pentacampeonato mundial em 2002, diminuiu significativamente o número de verdadeiros craques revelados pelos nossos times. Kaká, Adriano, Robinho e mais alguns poucos parecem ter sido a raspa do tacho.

Com boa vontade, apesar de todos os fracassos fora e dentro do campo, Neymar é a maior esperança de um grupo de jogadores que alcançou algum brilho defendendo equipes europeias, mas que não se firmou a ponto de devolver a seleção brasileira o status de vencedora respeitada.

Infelizmente, confirma-se a estagnação do futebol brasileiro. Os dirigentes e os treinadores contribuem, miseravelmente, com rara incompetência para esse doloroso processo. Internamente, quase um deserto de revelações promissoras, agravado pela decadência técnica dos campeonatos em andamento.

Ou não é uma tristeza ver o outrora vencedor Cruzeiro enterrado na Segunda Divisão? Ou o Botafogo, que já foi celeiro de craques do selecionado nacional nas primeiras conquistas da história, de volta à Segunda Divisão com quatro rodadas de antecedência.

Na Primeira Divisão nenhuma equipe conseguiu encher os olhos do torcedor até o momento. O Internacional, que lidera a competição, tem se sobressaído pela luta e o empenho dos seus jogadores, nada além disso. Sem esquecer dos golpes de sorte com pênaltis decisivos nas partidas com Grêmio e Bragantino.

Até o Flamengo, com um elenco milionário para os padrões atuais, não consegue decolar. Depois de ser derrotado pelo Athletico, agora empatou com o Bragantino.

Mas a confirmação da mediocridade técnica instalada foi o baixo padrão da final da Copa Libertadores da América entre Santos e Palmeiras. Para aumentar a nossa angústia, o Palmeiras conseguiu ser eliminado pelo Tigres, do México, na semifinal do Mundial de Clubes.

Em tempos de pandemia, fomos reduzidos a leitura e obrigados a suportar o péssimo nível da programação da televisão. Tevê com intermináveis reprises e um jornalismo que, pelo baixo padrão investigativo e intelectual, acaba contribuindo para alimentar a histórica canalhice de políticos e governantes.

Assim, com jogos de futebol que beiram a indigência técnica, lembrei do genial cronista Nelson Rodrigues, quando queria referir-se a uma solidão descomunal, costumava compará-la a de "um Robinson Crusoé sem radinho de pilha".

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