Acompanhando o ritmo de desenvolvimento do planeta, o futebol também mudou. Em alguns casos, para melhor; em outros, para pior.

Ao assumir a presidência da FIFA, na metade da década de 1970, o brasileiro João Havelange mudou o esquema de poder da entidade. Ao incluir os países da África na Copa do Mundo e, aumentar os finalistas de 16 para 24, ganhou os seus votos e desequilibrou uma balança que, até então, pendia para os europeus.

Joseph Blatter, que foi seu secretário-geral e aprendiz de feiticeiro, engordou ainda mais essa conta, levando o número a 32. Porém, o gigantesco esquema de corrupção na escolha das sedes dos Mundiais – por exemplo, o pequeno Catar promover a Copa de 2022 – derrubou a banca em Zurique.

Propinas sempre existiram. Mas, nos últimos anos, com o crescimento vertiginoso das cifras no negócio, a coisa tomou um vulto avassalador. Deu no que deu: caiu a cúpula da FIFA e de diversas confederações nacionais. Nem a nossa CBF escapou.

Aliás, muito pelo contrário, a crise continua na sede do futebol brasileiro. Além do afastamento dos presidentes Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero, da prisão de José Maria Marin, nos Estados Unidos, o atual, Rogério Caboclo, está na berlinda.

Limpar toda essa sujeira não parece ser tão simples. Paralelamente à política e à corrupção na CBF, os clubes se movimentam intensamente nos bastidores e o futebol brasileiro está em transe. Todos os times das séries A e B desejam organizar os seus campeonatos através da criação de uma Liga dos Clubes, copiando a Primeira Liga – Premiere League – inglesa.

Ao mesmo tempo tramitam no Congresso Nacional dois projetos que podem transformar muita coisa no dia-a-dia da bola: a chamada Lei do Mandante nas relações dos clubes com as empresas que desejam transmitir os jogos pela televisão ou outras plataformas e a criação do Clube Empresa.

Com tantas novidades ao mesmo tempo, acrescida dos efeitos negativos provocados pela terrível pandemia do coronavírus, e da proverbial irresponsabilidade da maioria dos políticos e governantes brasileiros, recomenda-se muita cautela.

Até porque a maioria dos cartolas dos times de futebol não se distingue pela capacidade e lisura em suas gestões. Muito pelo contrário, o que mais se ouve falar é na crise financeira dos clubes, com atrasos de pagamentos, de direitos de imagem e outros compromissos assumidos.

Por isso, insisto: vamos devagar com o andor porque o santo é de barro.

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